" Paz das montanhas, meu alívio certo! "

17/05/2011

Pequenos contratempos da vida!

 
Caros amigos e leitores!

Ponte Romana em Cabril
Já lá vai mais de uma semana, mais precisamente no dia 07 do mês corrente,que fomos ao encontro da Vezeira de Ferral!
Não podemos aparecer à hora marcada, mas fomos  mais tarde, e às 09h:00 já estávamos a caminho do local do ponto de encontro.
O dia não estava muito famoso, muitas nuvens, ameaçava chuva, voltei para trás para pegar no corta-vento, e ainda bem.
Embora com o  tempo pouco sorridente, a vontade era muita de respirar os ares da serra que já não sentia há quase 3 semanas e de nos encontrar com o grupo da Vezeira de Ferral.
Mal começamos a caminhar, começou a chover. Não estava frio mas à medida que a altitude se elevava,  o vento persistente fazia lembrar um final de Inverno florido de urzes e carqueja!
Ainda ficámos na dúvida se a Vezeira teria sido adiada, mas rapidamente vimos diversos veículos estacionados depois da mariola do Castanheiro, o que nos levou a seguir em frente.


Ao longo do percurso os rastos da Vezeira eram evidentes, já por ali tinham passado, estava tudo ainda fresco...e também muito molhado! O nevoeiro vinha e ia repentinamente, mas o que aborrecia mais ainda era o vento sempre presente com os chuveiros a não pararem de surgir.
Um pastor a levar o seu gado, de viatura!Muito moderno!
Gosto da montanha de qualquer maneira, mas a partir do momento em que não consigo ver as vistas, e a chuva a bater-me na cara, começa a ser mais um obstáculo do que propriamente um prazer de caminhar, ainda para mais num trilho que era novidade para nós. Sim quando conhecemos o chão que pisámos é bem diferente do que sendo um desconhecido! Valía-nos as mariolas, algumas delas bem grandes e bonitas e o outro lado do vale fundo, que de quando em vez, as nuvens abriam  com a Laje dos Bois a sorrir para nós. Já lá tínhamos estado à 3 semanas.
O percurso embora húmido e ventoso, era lindo! Os tons lilases e amarelos predominavam o solo e o pouco da paisagem que conseguíamos ver. A dada altura já não se viam mariolas e tivemos a sensação que nos tínhamos desviado do trilho, não conseguíamos ver muito mais além...resolvemos continuar mais um pouco. Lembrei-me das  sábias palavras da minha querida amiga White Angel " Temos que saber respeitar a montanha", questionei-me se realmente estava a respeita-la naquelas condições...
De passo cauteloso continuámos, e as fotos lá se obtinham conforme as condições atmosféricas assim o permitiam, normalmente só em pequenas abertas com o vento sempre na nossa companhia.


A vegetação húmida na maior parte dela florida, contrastada com o cinza das belas pedras do Gerês resultava num combinado divinal. Não deixava de ter o prazer de estar ali e de sentir toda aquela envolvência serrana, sempre com cautela e o suposto respeito.
Chegámos finalmente ao ponto mais alto do Castanheiro, marcado com o seu bem conhecido marco geodésico, que já tínhamos visto do outro lado da serra em outras paragens. Para nós era a primeira vez que lá estávamos, e um registo da imagem era obrigatório, com os pés bem firmes no chão não fosse o vento fazer das suas. Para nosso desconsolo não se avistava quase nada dali, nem mesmo dava para ver a melhor direcção a seguir, e ter pelo menos uma pequena ideia do local onde se encontraria a Vezeira  naquele momento. E enquanto decidíamos o rumo a tomar, o vento tornou-se ainda mais forte e a chuva fustigáva-nos o corpo já quase chumbado até à cintura. O frio começou a tomar conta do resto e  já começávamos a tremer, estávamos parados, não podia ser, teríamos de continuar a mexer para manter o corpo quente. Algumas perguntas começaram a tomar conta de nós: "Onde devem de estar eles agora? Será que vamos encontra-los?  Será seguro?!...". Por muito que ame esta Serra, diversas responsabilidades tomam conta de nós e das nossas vidas, por muito que deseja-se ir até ao fim teríamos de pensar nas possíveis consequências que podiam surgir e foi então que tomámos a decisão, embora frustrante, de voltar para trás, antes que tudo pudesse ficar ainda pior.
As mariolas neste trilho, são muito bonitas.
De vez em quando o Céu levanta o véu, e eis um pouco da beleza escondida!

No alto do Castanheiro


E assim foi.
A partir daqui, ao contrário da maior parte dos trilhos que venho fazendo até hoje, este foi aquele em que a minha cabeça não parava de pensar, por momentos até parei de apreciar todo aquele espectáculo, afinal como seria possível? O vento de mãos dadas com a chuva fria, fustigávanos o corpo e a cara! As minhas pestanas pareciam  beirais, com os pingos sempre constantes, quase que já não protegiam os olhos, quase que já não dava para ver...minhas mãos estavam já geladas e meus dedos já não sentiam o bastão que me ampara as quedas em todas as caminhadas que fazemos. Há que puxar as mãos para dentro do corta vento, bendito corta vento!Se não fosse ele, congelava até aos cotovelos! E neste percurso inverso, só pensava nos pastores, sobretudo os de tempos passados, o que eles passavam nos dias chuvosos e frios da montanha, no que eles faziam, como se aqueciam, o que sentiriam naqueles momentos? E no Inverno?! Sim porque estávamos na Primavera, e não me lembro de passar tanto frio em Maio como neste dia!Verdade!

Senti uma profunda admiração pela gente da Serra! E todo caminho segui a pensar basicamente nisto! O sentimento de traição de não tentar ir ter com os membros da Vezeira, já não se apoderava de mim, tudo aquilo não deixava de ser um desporto, um passatempo, uma vontade de manter uma tradição que teima em se manter, e muito bem, em nome daqueles que já por tudo aquilo passaram e muito pior. Todo aquele desconforto que  estava a sentir não era nada comparado com os homens da montanha!
Já quase a chegar a Lapela, retirámos  os corta ventos, capas de chuva e acabámos o restante percurso até à viatura, finalmente mais à vontade. Já não chovia e o sol até nos piscou o olho! Maroto, gosta de jogar às escondidas! Sentíamos os pés a pisar a  agua dentro das próprias botas, olhámos para trás e o tempo até parecia estar a melhorar, ainda me senti tentada e com um sorriso nos lábios perguntei: " Vamos para trás e tentámos novamente?"
Não, o dia ficou mesmo por alí. A prioridade foi agora chegar ao carro, trocar a roupa quase toda  e encher as barriguinhas  com o pouco farnel que levámos, para trás ficou um dia incompleto e um testemunho de como seria a Vezeira daquelas localidades, que nos parecia ainda bastante genuína e tradicional e um grande sentimento de pena de não poder estarmos com os mesmos! De qualquer modo deixo o link da Vezeira de Ferral para poderem apreciar o trabalho meritório desta organização, que muito tem feito para manter vivas as tradições seculares do nosso Gerês, os nossos parabéns a todos e em especial ao Sr. Francisco Martins da comissão da vezeira cessante, um bem haja e para ano lá estaremos, se Deus quiser.


Foi um pequeno contratempo do próprio tempo!
Um Tempo que por vezes está contra ele próprio
Um tempo que se encontra muitas vezes contra nós

Pois os contratempos não ficaram por aqui!




Já em Fafião, havia vestígios do começo de novas vidas...

A protecção maternal, sempre presente!Ternura!!

Decidida fiquei em ir ao Castanheiro novamente passado uma semana, isto se o tempo não estivesse em contratempo! Deu para perceber que aquilo por lá estava lindo e digno de ser visto, no mínimo sem as nuvens sentadas na montanha! Deu para combinar com amigos que há já algum tempo não tinha o prazer da sua companhia e as saudades já eram muitas.Que Bom!Vou dar um grande abraço a cada um!

As Condições meteorológicas pareciam estar a nosso favor desta vez, no local mais bonito de Portugal com amizades saudosas era a combinação perfeita para um dia perfeito. 

Era... pois era...se não fosse uma patetice da minha parte! 
Na véspera do grande dia, fiz o favor ao sr. contratempo de partir um dos dedos do pé!!!
Pois...pois é, com tantos trapézios na montanha e vou logo quebrar um ossito, dentro da minha própria casa, local onde supostamente era o mais seguro...!Mas foi patetice minha, a casa não teve culpa!
E agora? Perguntam.
Agora, repouso durante os primeiros dias, e caminhadas nem pensar pelo menos nos próximos 30 dias, e...a correr bem. Recomendações do Senhor Doutor, que por sinal também gosta de caminhadas!Que bem me compreende e bons conselhos me deu!
Agora se quero ficar bem recuperada terei de ter paciência e muita paciência, para não falar da grande paciência que tenho de arranjar sabe-se lá aonde! E não adiante chorar pois o mal já cá está! Terei de curar muito bem o meu dedinho do pé, pois não quero deixar de ir  muitas infinitas vezes beijar o meu querido Gerês. Ai que já estou com uma lágrima no canto do olho! Estava com tantos planos e tudo me saiu ao contrário, vou ter tantas saudades!!!!

Pois é...são pequenos contratempos da vida!

Há mas não pensem que a Cabra do Gerês deixará da publicar! Não se esqueçam das recordações que tenho no meu precioso baú, fora as notícias, novidades e conhecimentos que desejo partilhar com todos vós! Afinal de contas estou por casa durante alguns dias e com muito tempo livre, coisa que já não sabia o que era há quase 21 anos!
Tentarei não desperdiçar o meu precioso tempo livre, começando também por fazer as minhas pinturas, hábito e paixão que já deixei de exercer à muito, devido à falta de tempo e das prioridades que tive de optar.

Afinal não pode ser tudo mau, basta tentar dar a volta à vida antes que ela nos dê a volta a nós!

E espero estar daqui a algum tempo, a correr as Terras Geresianas, tal como este cavalinho!

08/05/2011

40 anos de Parque Nacional

Já lá vão quarenta anos de Parque Nacional!
Em 08 de Maio de 1971 as zonas que englobam as Serras do Gerês, Soajo, Amarela e Peneda com cerca de 72000 hectares, tornaram-se em Parque Nacional Peneda-Gerês, o único Parque Nacional até aos dias de hoje.
É um local único neste país e por excelência um cantinho do céu para quem o gosta de visitar!
Em pequena lembro-me de ouvir minha mãe dizer muitas vezes: "Os produtos que são mesmo bons, não precisam de publicidade na TV". Bom neste caso eu diria que o PNPG não precisa de publicidade, não é um produto, mas é um local de soberba paz, águas puras e frescas, ar leve e curativo, montanhas de um alívio inconfundível, de uma flora e fauna belíssima, com espécies  autóctones  desta região.
O mundo está cheio de cantinhos mágicos, e nós também temos o nosso! E é único!


Alegra-me e consola-me o espírito saber que me encontro apenas a umas dezenas de kms deste paraíso, e só por isso já não me interessa viver noutro local do país, a não ser que seja por extrema necessidade.
Infelizmente não nasci aqui, mas o meu coração aqui pertence, e é aqui que quero ficar para sempre. Não me perguntem porquê, mas uma parte de mim pertence a este local, talvez tenha estado por cá numa outra vida, talvez por cá irei ficar depois desta, certeza porém minha alma está sempre aqui!


Lembro-me nos anos 70 de dar grandes passeios pelo Gerês num Fiat 127. No tempo em que muita gente não tinha automóveis, e quando alguém ia passear levava a maior numero de amigos possíveis na viatura. Lembro-me pois de sermos cerca de 7 pessoas num 127, no tempo em que não era obrigatório usar o cinto no automóvel, no tempo em que íamos no colo uns dos outros! Era eu muito pequena...talvez uns 3/4 anos, ia sempre sentada no colo de alguém, a sorrir para a paisagem da Serra, e a imaginar o que teria lá em cima! Cantávamos muitas vezes, todos juntos, enquanto fazíamos as curvas da estrada mais frequentada da Serra que nos levava lá mais para cima, para a Mata da Albergaria.
Era uma alegria ir ao Gerês!!!
Aqui tinha eu 3 anos e meio. Reparem na estrada, ainda não era alcatroada!


Era uma alegria no passado, e hoje para mim é mais que isso, é a vontade e a necessidade de respirar, tocar sentir o frio e o calor, a brisa ou o vento forte, a água fresca ou gelada, as visões as miragens, os animais as plantas as árvores e gente da terra, tudo que esta terra dá! Tudo num universo só! Um Universo muito próprio em que eu estou lá, sempre!
Hoje já lá fui àquelas montanhas em  que dantes  olhava e achava que só aos lobos pertenciam!
Hoje conheço muito mais do poderoso granito e da pureza envolvente e de toda a amargura de um Parque Nacional, que de Parque só tem o nome!
Peço desculpa por esta frase quase que cruel, mas é a realidade e uma grande verdade, e como as verdades doem sempre,  é natural que possam estar ofendidos, mas quem for uma boa pessoa compreenderá porque o digo.
Este parque está adormecido, quase que esquecido e quase ao abandono.
Não fossem os poucos homens que trabalham nele, as populações que se interessam por esta terra, as associações que desesperam em manter as tradições para que não se esqueça o que era o Gerês antes mesmo de ser um parque nacional. E finalmente nós os que amámos esta região, nós que cá estamos quase todos os fins-de-semana e que nos preocupámos com o futuro destas Serras, e que não ficámos indiferentes com o que por cá vai!

Pergunto-me como vai ser este ano se mais fogos houver, sabendo dos cortes no combate e prevenção dos mesmos! Pergunto-me porque não tem guardas- florestais a vigiar e controlar e prevenir todas as anomalias possíveis de se corrigir! Pergunto-me e que vai ser das dezenas de casas florestais abandonadas e vandalizadas pelos infelizes! Pergunto-me porque deixaram os fogos chegar  à Mata do Cabril e do Ramiscal, preciosidades irrecuperáveis!!Pergunto-me porque razão há tantos assaltos nas poucas zonas de estacionamento do parque! Pergunto-me porquê que as minas dos Carris estão completamente abandonadas à sua sorte e à sorte de quem lá passa! Pergunto-me porque não tem o nosso único parque nacional um verdadeiro estatuto não teórico, mas prático e digno?!!!

Pergunto aos responsáveis o que têm a dizer sobre isto?

Há pois é verdade, já nem me lembrava que nunca há responsáveis neste país!!!!!

Porquê um director do PNPN que quase de certeza pouco ou nada conhece desta terra e deste povo?! Sim!! Será que ele sabe o caminho para as Sombrosas ou para os prados do Teixeira?...Pois possivelmente sabe o caminho para o Hotel, com certeza a boa estadia e o conforto acima de tudo para que a mente funcione bem e não troque as palavras nos discursos!
Mas este nosso Gerês continua a ser de um relevo áspero, uma gigantesca muralha defendendo uma parte da fronteira e continua a parecer um dorso de um colossal monstro em estática atitude de um sono imperturbável, porque mais do que tudo, este Gerês irá ter sempre as suas pedras aqui, irá sempre pertencer àqueles que o amam verdadeiramente, e quanto a isso ninguém lhe tira!!


Andem por onde andarem, não encontrarão nada assim!!

No silêncio do parque abandonado
O repuxo prossegue a sua luta;
É um desejar alado
A sair duma gruta.

Ergue-se a pino ao céu como uma lança;
Ergue-a a pino, e sobe na ilusão;
Até que a flor do ímpeto se cansa
E cai morta no chão.

Mas a raiz do sonho não desiste;
Subir, subir ao Céu, alto e fechado!
E o repuxo persiste
Na solidão do parque abandonado!

                                                                                                       - Miguel Torga-

Uma das muitas casas florestais!
Bem perto da Portela do Homem
Casa do académico
Interior da casa do académico!! Não falta gente a oferecer-se, para ver esta casa a ser útil novamente!
Perto das minas
As ruínas das minas aumentam a olhos vistos!!E o perigo é cada vez maior!
Na pedra bela,  com uma bela casa florestal...abandonada! Não poderia alguém lá habitar e vigiar o parque?! Meus senhores já temos casa e tudo!
Este telefone já deve ter sido muito útil! Agora de nada serve.
Temos cozinha! Um pouco degradada, nada que não se possa fazer, só falta a boa vontade dos nossos governantes!




29/04/2011

Carris-Concelinho-Xertelo

Gerês, 16 de Abril de 2011
Parte II

Por vezes dou comigo a pensar e a tentar perceber, porque razão sinto tanto prazer em percorrer as montanhas geresianas... Não tenho muito experiência em frequentar outras, mas já tenho ouvido casos de gente que andou por diversos locais, alguns deles soberbos, mas sentem algo especial sempre que pisam a terra tão falada de Miguel Torga!
Como será que ele se encontra agora?...Possivelmente sentado nas nuvens a contemplar as suas amadas montanhas e a observar a pequena gente que de vez em quando passeia por lá...já o imagino com um longo sorriso ao avistar-nos e a pensar para si próprio " Paz na montanha, meu alívio certo!"

À brisa irrequieta que pergunta:
-São namorados?,
Responde o céu sereno:
-É o pai e a filha;
Ele quer mostrar-lhe a cúpula do mundo,
Ela pasma de nova maravilha...

E o sol que brilha
Lá na sua altura,
Cora de ver chegar junto de si
Os heróis da sonâmbula aventura...

- Posso ir brincar ali?
- Podes, amor, que a nuvem está segura.

Ascensão-Miguel Torga

E depois de fazermos uma pausa nas famosas minas dos carris, único local deste dia onde encontrámos mais gente, a maior parte quase que foi preciso arrancar-lhes uma boa tarde à boa maneira Portuguesa, valeu pelo menos um grupo de jovens que já lá se encontravam, muito animados a almoçar,  perguntaram se éramos servidos, " Não obrigada! Bom apetite!", espero que tenham deixado o local do piquenique limpinho...mas não vamos falar de lixo que  o estado deprimido toma-me conta!
Avançamos em direcção às Abrótegas ficando os Carris para trás, aí virámos para dentro deixando o caminho tradicional, pretendendo assim fazer o percurso circular e terminando no local da nossa partida, Xertelo.
Passámos por Lamas do Homem, por lá encontrámos um pequeno prado e quase uma dezena de gado bovino a pastar. Comunicativa como sempre tento ser com todos os bichinhos, quase que dava por mim a fugir de um deles, possivelmente ofendido com alguma coisa que lhe disse, ou então, o lenço vermelho que trazia amarrado na cabeça despertou-lhe os sentidos! Bichinhos pacatos, e que boa vida levam! Que inveja!




Ah! Mas mais à frente, quando nos preparávamos para começar a descer em direcção aos Cocões do Concelinho, surge de repente uma águia bem por cima das nossas cabeças, que depressa se dirigiu mais lá para diante  pairando sobre a brisa serrana de céu azul e ar leve!!Que sensação! Que imagem deslumbrante amigos!Que inveja que sinto dela!





Posso-vos dizer que foi a primeira vez que me dirigi para estas bandas e a primeira imagem que guardo em minha mente da vista para o Concelinho é absolutamente fantástica! Fresca! leve e tranquila! É assim que me sinto quando penso naquele local!Uma outra dimensão! Mais um paraíso de muitos nesta Serra!






E mais uma vez, quase a chegar ao fundo do vale, novamente fomos surpreendidos por uma, e logo a seguir mais outra cabra!! Saltavam de pedra em pedra com tamanha rapidez que de início nem dava para perceber bem se eram cabras ou cervos! Mas que velocidade incrível! Depressa as duas criaturas se deslocaram para o outro lado do vale e já lá em cima das montanhas! Ficámos ali um bom bocado, a tentar registar o momento com as máquinas e a ampliar o zoom ao máximo, de modo a não desfocar! Tarefa difícil! Eu preferi ficar sentada a contemplar os movimentos das minhas cabrinhas tão distantes de mim!Deve ser uma sensação extraordinária saltar daquela forma pelos penhascos! Que inveja que tenho delas!
   
Com uma mistura de pena e alegria, continuámos a seguir o percurso, agora muito fresco devido à água que circulava cá em baixo, fazendo uns ziguezagues pela grande extensão de chão granítico, tão belo, tão refrescante e puro! Não há vivenda, não há palácio que tenha um chão tão belo como este! Ó não!Não me convençam do contrário pois não vale a pena! Aqui enchi a minha garrafa de água e bebi...bebi! Aqui molhei meu rosto e os olhos arderam-me devido ao sal contido no suor que até aí escorria pela face. Que maravilha!Que sonho! Aquele carvalho ali no meio da linha de água e o azevinho à sua frente! Belo enquadramento! Onde é que vemos coisas destas no nosso dia a dia?!!
Aqui ficava sempre para trás, não me cansava de parar de contemplar, escutar, sentir e não sei mais o quê!E mais uma foto aqui e ali! Meus Deus como isto é lindoooo!
"Anda Lírio, ainda temos muito que andar!", por mim já ficava ali.





 Seguindo marcha  encontra-mos pouco depois um técnico de controlo de gado que ficou muito surpreendido de nos ver, " Pensava que não ia ver ninguém" comentou, e perguntou " Viram algum gado por aí?", " Sim! Lá em cima nuns prados!..e o Senhor que faz por cá?". Foi uma curta conversa uma vez que o senhor tinha ainda uma longa caminhada pela frente, mas deu para esclarecer que os animais que vimos eram mesmo cabras, após mostrar as fotos que tirámos, e ficámos a saber que o mesmo já viu" 16 belos bichos desses!!" referia-se aos lobos!! Explicou-nos que os Lobos à hora em que a gente estava, possivelmente encontravam-se ali que era mais fresco, ( apontando com o braço para um local mais distante cheio de arbustos altos), e que lá para as 17h:30 começariam a sair. Despediu-se de nós com muita pena minha e seguiu o seu percurso...compreensível, estava em trabalho!






 E assim sempre em linha recta, fomos nós calcando pedras e verdura, uma combinação perfeita entre o duro e o mole. Avistámos cavalos mais uma vez, não há passeio no Gerês sem cavalos de facto.Esta foi uma cena linda de se assistir, como um jovem filhote com sua mãe e os restantes à volta a alertar que se aproximavam humanos. Depressa se deslocaram, alguns deles a galopar, para um prado mais acima. Estas animais são lindos de morrer!












E assim se foi indo, passando por mais um prado e  mais outro até às lagoas do marinho! Aproveitei para ingerir uma peça de fruta sentada ao pé da lagoa mais pequena e contemplar a cobertura de flores que a cobria  ouvindo o som do cantar das rãs ao desafio! Que bem se estava ali!




A partir daqui foi sempre a abrir, acelerar as pernas apanhar o estradão interminável até Xertelo sem nunca perder o prazer da paisagem que nos envolvia e das fotografias intermináveis. As encostas começavam a adquirir os tons do final do dia, o canto dos pássaros era diferente e o sol menos doirado.




Também aqui consolámos a sede! Temos a dizer, que foi das águas mais saborosas que bebemos na serra até hoje!




Por nós passou um jipe em sentido contrário e mais tarde voltou a passar no sentido em que íamos. Lá de dentro um simpático Senhor ofereceu-nos boleia, já faltava pouco para Xertelo mas aceitámos pois os Kms nas pernas já eram muitos!
Ainda bem que aceitámos a boleia pois tivemos o prazer de conhecer mais um dos habitantes desta bela Serra e um pouco das suas histórias. Ficámos a saber que  o Senhor era  um dos representantes da associação Vezeira de Ferral e o jovem que o acompanhava era o autor da bela mariola do Castanheiro!É sempre uma satisfação falar com este povo!
Foi um dia bem passado e que terminou bem preenchido, recheado de novidades e emoções inesquecíveis.
Enchemos alguns garrafões com a água fresca de uma de muitas fontes encontradas pelo caminho e aproveitei para colocar o lixo que apanhei na Serra no seu  local devido, um contentor na beira da estrada, e dei comigo mais uma vez a pensar: Minha querida Serra, o que fizeste de mal para mereceres isto?

Uma parte deste lixo, veio das minas dos carris.

Por vezes é penoso cumprir o dever, mas nunca é tão penoso como não cumpri-lo.