" Paz das montanhas, meu alívio certo! "

19/05/2011

Paisagens e variações



Neste momento e até ao dia 05 de Junho, decorre uma exposição de pintura com o tema "Paisagens e Variações".

Este belo trabalho pertence ao nosso grande amigo Xavier Lopes, que muito se esforçou para conciliar o  trabalho laboral com o prazer de pintar!

No Auditório Municipal de Gondomar  encontra-se a prova  da causa da  ausência da sua presença em diversas caminhadas que fizemos,  mas o resultado final  está à vista!

Vale a pena fazer uma visita a esta exposição, deste amante da Natureza, para além de ser um talentoso pintor é também um bom e prestável amigo!

http://pintaramacaca.blogspot.com/




17/05/2011

Pequenos contratempos da vida!

 
Caros amigos e leitores!

Ponte Romana em Cabril
Já lá vai mais de uma semana, mais precisamente no dia 07 do mês corrente,que fomos ao encontro da Vezeira de Ferral!
Não podemos aparecer à hora marcada, mas fomos  mais tarde, e às 09h:00 já estávamos a caminho do local do ponto de encontro.
O dia não estava muito famoso, muitas nuvens, ameaçava chuva, voltei para trás para pegar no corta-vento, e ainda bem.
Embora com o  tempo pouco sorridente, a vontade era muita de respirar os ares da serra que já não sentia há quase 3 semanas e de nos encontrar com o grupo da Vezeira de Ferral.
Mal começamos a caminhar, começou a chover. Não estava frio mas à medida que a altitude se elevava,  o vento persistente fazia lembrar um final de Inverno florido de urzes e carqueja!
Ainda ficámos na dúvida se a Vezeira teria sido adiada, mas rapidamente vimos diversos veículos estacionados depois da mariola do Castanheiro, o que nos levou a seguir em frente.


Ao longo do percurso os rastos da Vezeira eram evidentes, já por ali tinham passado, estava tudo ainda fresco...e também muito molhado! O nevoeiro vinha e ia repentinamente, mas o que aborrecia mais ainda era o vento sempre presente com os chuveiros a não pararem de surgir.
Um pastor a levar o seu gado, de viatura!Muito moderno!
Gosto da montanha de qualquer maneira, mas a partir do momento em que não consigo ver as vistas, e a chuva a bater-me na cara, começa a ser mais um obstáculo do que propriamente um prazer de caminhar, ainda para mais num trilho que era novidade para nós. Sim quando conhecemos o chão que pisámos é bem diferente do que sendo um desconhecido! Valía-nos as mariolas, algumas delas bem grandes e bonitas e o outro lado do vale fundo, que de quando em vez, as nuvens abriam  com a Laje dos Bois a sorrir para nós. Já lá tínhamos estado à 3 semanas.
O percurso embora húmido e ventoso, era lindo! Os tons lilases e amarelos predominavam o solo e o pouco da paisagem que conseguíamos ver. A dada altura já não se viam mariolas e tivemos a sensação que nos tínhamos desviado do trilho, não conseguíamos ver muito mais além...resolvemos continuar mais um pouco. Lembrei-me das  sábias palavras da minha querida amiga White Angel " Temos que saber respeitar a montanha", questionei-me se realmente estava a respeita-la naquelas condições...
De passo cauteloso continuámos, e as fotos lá se obtinham conforme as condições atmosféricas assim o permitiam, normalmente só em pequenas abertas com o vento sempre na nossa companhia.


A vegetação húmida na maior parte dela florida, contrastada com o cinza das belas pedras do Gerês resultava num combinado divinal. Não deixava de ter o prazer de estar ali e de sentir toda aquela envolvência serrana, sempre com cautela e o suposto respeito.
Chegámos finalmente ao ponto mais alto do Castanheiro, marcado com o seu bem conhecido marco geodésico, que já tínhamos visto do outro lado da serra em outras paragens. Para nós era a primeira vez que lá estávamos, e um registo da imagem era obrigatório, com os pés bem firmes no chão não fosse o vento fazer das suas. Para nosso desconsolo não se avistava quase nada dali, nem mesmo dava para ver a melhor direcção a seguir, e ter pelo menos uma pequena ideia do local onde se encontraria a Vezeira  naquele momento. E enquanto decidíamos o rumo a tomar, o vento tornou-se ainda mais forte e a chuva fustigáva-nos o corpo já quase chumbado até à cintura. O frio começou a tomar conta do resto e  já começávamos a tremer, estávamos parados, não podia ser, teríamos de continuar a mexer para manter o corpo quente. Algumas perguntas começaram a tomar conta de nós: "Onde devem de estar eles agora? Será que vamos encontra-los?  Será seguro?!...". Por muito que ame esta Serra, diversas responsabilidades tomam conta de nós e das nossas vidas, por muito que deseja-se ir até ao fim teríamos de pensar nas possíveis consequências que podiam surgir e foi então que tomámos a decisão, embora frustrante, de voltar para trás, antes que tudo pudesse ficar ainda pior.
As mariolas neste trilho, são muito bonitas.
De vez em quando o Céu levanta o véu, e eis um pouco da beleza escondida!

No alto do Castanheiro


E assim foi.
A partir daqui, ao contrário da maior parte dos trilhos que venho fazendo até hoje, este foi aquele em que a minha cabeça não parava de pensar, por momentos até parei de apreciar todo aquele espectáculo, afinal como seria possível? O vento de mãos dadas com a chuva fria, fustigávanos o corpo e a cara! As minhas pestanas pareciam  beirais, com os pingos sempre constantes, quase que já não protegiam os olhos, quase que já não dava para ver...minhas mãos estavam já geladas e meus dedos já não sentiam o bastão que me ampara as quedas em todas as caminhadas que fazemos. Há que puxar as mãos para dentro do corta vento, bendito corta vento!Se não fosse ele, congelava até aos cotovelos! E neste percurso inverso, só pensava nos pastores, sobretudo os de tempos passados, o que eles passavam nos dias chuvosos e frios da montanha, no que eles faziam, como se aqueciam, o que sentiriam naqueles momentos? E no Inverno?! Sim porque estávamos na Primavera, e não me lembro de passar tanto frio em Maio como neste dia!Verdade!

Senti uma profunda admiração pela gente da Serra! E todo caminho segui a pensar basicamente nisto! O sentimento de traição de não tentar ir ter com os membros da Vezeira, já não se apoderava de mim, tudo aquilo não deixava de ser um desporto, um passatempo, uma vontade de manter uma tradição que teima em se manter, e muito bem, em nome daqueles que já por tudo aquilo passaram e muito pior. Todo aquele desconforto que  estava a sentir não era nada comparado com os homens da montanha!
Já quase a chegar a Lapela, retirámos  os corta ventos, capas de chuva e acabámos o restante percurso até à viatura, finalmente mais à vontade. Já não chovia e o sol até nos piscou o olho! Maroto, gosta de jogar às escondidas! Sentíamos os pés a pisar a  agua dentro das próprias botas, olhámos para trás e o tempo até parecia estar a melhorar, ainda me senti tentada e com um sorriso nos lábios perguntei: " Vamos para trás e tentámos novamente?"
Não, o dia ficou mesmo por alí. A prioridade foi agora chegar ao carro, trocar a roupa quase toda  e encher as barriguinhas  com o pouco farnel que levámos, para trás ficou um dia incompleto e um testemunho de como seria a Vezeira daquelas localidades, que nos parecia ainda bastante genuína e tradicional e um grande sentimento de pena de não poder estarmos com os mesmos! De qualquer modo deixo o link da Vezeira de Ferral para poderem apreciar o trabalho meritório desta organização, que muito tem feito para manter vivas as tradições seculares do nosso Gerês, os nossos parabéns a todos e em especial ao Sr. Francisco Martins da comissão da vezeira cessante, um bem haja e para ano lá estaremos, se Deus quiser.


Foi um pequeno contratempo do próprio tempo!
Um Tempo que por vezes está contra ele próprio
Um tempo que se encontra muitas vezes contra nós

Pois os contratempos não ficaram por aqui!




Já em Fafião, havia vestígios do começo de novas vidas...

A protecção maternal, sempre presente!Ternura!!

Decidida fiquei em ir ao Castanheiro novamente passado uma semana, isto se o tempo não estivesse em contratempo! Deu para perceber que aquilo por lá estava lindo e digno de ser visto, no mínimo sem as nuvens sentadas na montanha! Deu para combinar com amigos que há já algum tempo não tinha o prazer da sua companhia e as saudades já eram muitas.Que Bom!Vou dar um grande abraço a cada um!

As Condições meteorológicas pareciam estar a nosso favor desta vez, no local mais bonito de Portugal com amizades saudosas era a combinação perfeita para um dia perfeito. 

Era... pois era...se não fosse uma patetice da minha parte! 
Na véspera do grande dia, fiz o favor ao sr. contratempo de partir um dos dedos do pé!!!
Pois...pois é, com tantos trapézios na montanha e vou logo quebrar um ossito, dentro da minha própria casa, local onde supostamente era o mais seguro...!Mas foi patetice minha, a casa não teve culpa!
E agora? Perguntam.
Agora, repouso durante os primeiros dias, e caminhadas nem pensar pelo menos nos próximos 30 dias, e...a correr bem. Recomendações do Senhor Doutor, que por sinal também gosta de caminhadas!Que bem me compreende e bons conselhos me deu!
Agora se quero ficar bem recuperada terei de ter paciência e muita paciência, para não falar da grande paciência que tenho de arranjar sabe-se lá aonde! E não adiante chorar pois o mal já cá está! Terei de curar muito bem o meu dedinho do pé, pois não quero deixar de ir  muitas infinitas vezes beijar o meu querido Gerês. Ai que já estou com uma lágrima no canto do olho! Estava com tantos planos e tudo me saiu ao contrário, vou ter tantas saudades!!!!

Pois é...são pequenos contratempos da vida!

Há mas não pensem que a Cabra do Gerês deixará da publicar! Não se esqueçam das recordações que tenho no meu precioso baú, fora as notícias, novidades e conhecimentos que desejo partilhar com todos vós! Afinal de contas estou por casa durante alguns dias e com muito tempo livre, coisa que já não sabia o que era há quase 21 anos!
Tentarei não desperdiçar o meu precioso tempo livre, começando também por fazer as minhas pinturas, hábito e paixão que já deixei de exercer à muito, devido à falta de tempo e das prioridades que tive de optar.

Afinal não pode ser tudo mau, basta tentar dar a volta à vida antes que ela nos dê a volta a nós!

E espero estar daqui a algum tempo, a correr as Terras Geresianas, tal como este cavalinho!