
Num Gerês em que quase todos conhecem, abunda o verde, o fresco, as fontes, os ribeiros, algumas cascatas, as portas de entrada e as estradas mais frequentadas.
No Gerês que alguns conhecem, existem os trilhos marcados onde a água marca na maior parte das vezes a sua presença, onde se pode estar mais pertinho do céu.
Num Gerês de lírios, jasmins, teixos e fetos, de cabras montesas, corços e garranos, das paisagens únicas, da constante água fresca rebolando pedras, deslizando por corgas onde se escondem verdadeiros oásis dentro de um oásis! Locais onde egoísticamente falando, poucos frequentam e ainda bem, para o bem de todos nós e do nosso precioso património natural único!
Num vale como muitos existentes na Serra, rasgado por um rio com o mesmo nome, presencia-se uma das visões mais deslumbrantes que já tive até hoje na Serra do Gerês! Encontra-se aninhado depois de uma tímida cascata, um lindo lago de um verde esmeralda, onde só por dureza de coração se não sentiria o afago da felicidade!
Seu nome, Poço Azul.
Por ser um lago que não se avista ao longe e só se dá pela sua majestosa presença quando se está quase em cima do mesmo, torna a visão deste ainda mais fenomenal, de uma essência penetrante tal, que jamais me esquecerei da primeira vez que o vi!
Também não me esquecerei das expressões faciais de um grupo de oito jovens que foram aparecendo aos poucos, e deram de caras com aquela toalha de água de limpar o olhar, enquanto que nós já lá instalados a usufruir de uns belos banhos de sol depois de uma deliciosa banhoca!
Era ver as moscas a entrarem pelas suas bocas adentro, caso as houvesse! Um deles educadamente perguntou-nos se não nos importávamos que ficassem ali também, como se de uma propriedade privada se tratasse! Apreciei aquele belo gesto sensível de quem se apercebeu que estávamos ali para usufruir do mais belo e satisfatório que a Natureza nos oferece! "Prometemos que vamos fazer os possíveis para fazer pouco barulho!", ora aqui está o belo civismo! Assim dá gosto partilhar e compartilhar!
E foram uma simpática e pacata companhia, que deliciaram-nos com o prazer que também transmitiram!
O poço Azul é talvez um dos lagos mais profundos do Gerês. Há quem diga que tem uma profundidade de cerca de 6 metros...possivelmente, e nada de nos deixarmos levar pelo seu enganador fundo quase nítido de tão límpida e cristalina água que o esbanja.
O encantado poço Azul de água tão fresca ou gelada para os mais sensíveis, mesmo em pleno verão, em que o sol demora uma eternidade a aquecer devido à sua profundidade!
Para o meu espírito é um canto divino de reflexão, onde se conjuga o prazer do corpo e da alma, rodeado de montanhas por quase todos os lados e apenas o céu como tecto do mundo. Uma paz serena! Onde consigo flutuar, rodar e observar a luta entre o mineral e o vegetal que o rodeia! Onde brinco com ele em suspeita relação entre mulher e Natureza como se de um apaixonante amante se tratasse!!
Todos os perfumes aqui se abrem, todos os sons se captam desde a pequena cascata que o penetra, da brisa da montanha que por aqui flutua e das aves que por lá passam!
Aqui, infinitamente adormeceria, talvez morrendo, com meu corpo repousado sobre um profundo lençol de água!