" Paz das montanhas, meu alívio certo! "

01/06/2011

Cascatas Tahiti (Fecha das Barjas)

Algures entre a aldeia da Ermida e de Fafião, saltita montanha abaixo, uma das mais belas e maiores cascatas do Gerês. 
 São conhecidas pelas cascatas de Fafião, mas alguém que gostou tanto do cenário, resolveu baptizar as mesmas de cascatas Taithi!... Porque será?!

O acesso para estas cascatas depois da estrada, é por caminhos pedestres com média a elevada dificuldade de acesso, visto os trilhos serem muito sinuosos e agrestes. É preciso segui-los com muito cuidado! Pode-se tornar muito perigoso!
Seguindo estas cascatas de uma beleza exclusiva do nosso Portugal, formando pequenas lagoas aqui e ali, a maior lagoa situa-se rodeada de areia sendo um sítio fantástico para passar-mos umas belas manhãs, tardes ou quem sabe umas férias de Verão!

E mais não vou dizer, penso que as imagens que vos deixo, falam por si!












Tu és  a esperança, a madrugada.
Nasceste nas tardes de Setembro,
Quando a luz é perfeita e mais doirada,
e há uma fonte crescendo no silêncio.

Para ti criei sem sentido,
inventei brumas, lagos densos,
e deixei no ar braços suspensos
ao encontro da luz que anda contigo.

Tu és a esperança onde deponho
meus versos que não podem ser mais nada.
Esperança minha,onde meus olhos bebem,
fundo, como quem bebe a madrugada.
                                                                                           " Eugénio de Andrade"



30/05/2011

O delírio do Poço Azul




 
Num Gerês em que quase todos conhecem, abunda o verde, o fresco, as fontes, os ribeiros, algumas cascatas, as portas de entrada e as estradas mais frequentadas.

No Gerês que alguns conhecem, existem os trilhos marcados onde a água marca na maior parte das vezes a sua presença, onde se pode estar mais pertinho do céu.

Num Gerês de lírios, jasmins, teixos e fetos, de cabras montesas, corços e garranos, das paisagens únicas, da constante água fresca rebolando pedras, deslizando por corgas onde se escondem verdadeiros oásis dentro de um oásis! Locais onde egoísticamente falando, poucos frequentam e ainda bem, para o bem  de  todos nós e do nosso precioso património natural único!






Num vale como muitos existentes na Serra, rasgado por um rio com o mesmo nome,  presencia-se  uma das visões mais deslumbrantes que já tive até hoje na Serra do Gerês! Encontra-se aninhado depois de uma tímida cascata, um lindo lago de um verde esmeralda, onde só por dureza de coração se não sentiria o afago da felicidade!
Seu nome, Poço Azul.

Por ser um lago que não se avista ao longe e só se dá pela sua majestosa presença quando se está quase em cima do mesmo, torna a visão deste ainda mais fenomenal, de uma essência penetrante tal, que jamais me esquecerei da primeira vez que o vi!

Também não me esquecerei das  expressões faciais de um grupo de oito jovens que foram aparecendo aos poucos, e deram de caras com aquela toalha de água de limpar o olhar, enquanto que nós já lá instalados a usufruir de uns belos banhos de sol depois de uma deliciosa banhoca!


Era ver as moscas a entrarem pelas suas bocas adentro, caso as houvesse! Um deles educadamente perguntou-nos se não nos importávamos que ficassem ali também, como se de uma propriedade privada se tratasse! Apreciei aquele belo gesto sensível de quem se apercebeu que estávamos ali para usufruir do mais belo e satisfatório que a Natureza nos oferece! "Prometemos que vamos fazer os possíveis para fazer pouco barulho!", ora aqui está o belo civismo! Assim dá gosto partilhar e compartilhar!
E foram uma simpática e pacata companhia, que deliciaram-nos com o prazer que também transmitiram!



O poço Azul é talvez um dos lagos mais profundos do Gerês. Há quem diga que tem uma profundidade de cerca de 6 metros...possivelmente, e nada de nos deixarmos levar pelo seu enganador fundo quase nítido de tão límpida e cristalina água que o esbanja.
O encantado poço Azul de água tão fresca ou gelada para os mais sensíveis, mesmo em pleno verão, em que o sol demora uma eternidade a aquecer devido à sua profundidade!




Para o meu espírito é um canto divino de reflexão, onde se conjuga o prazer do corpo e da alma, rodeado de montanhas por quase todos os lados e apenas o céu como tecto do mundo. Uma paz serena! Onde consigo flutuar, rodar e observar a luta entre o mineral e o vegetal que o rodeia! Onde brinco com ele em suspeita relação entre mulher e Natureza como se de um apaixonante amante se tratasse!!

Todos os perfumes  aqui se abrem, todos os sons se captam desde a pequena cascata que o penetra, da brisa da montanha que por aqui flutua e das aves que por lá passam!






Aqui, infinitamente adormeceria, talvez morrendo, com meu corpo repousado sobre um profundo lençol de água!