" Paz das montanhas, meu alívio certo! "

05/06/2011

Plantação nos Currais da Vezeira ( Fafião )

Mais uma acção comunitária se realizou ontem, levada a cabo pela associação Vezeira, a qual não pude infelizmente estar presente com grande pena minha. Mas Orion, minha alma gémea, fez questão de ir e partilhar comigo os bons momentos e as aventuras que todos viveram neste dia, o qual terei todo o prazer em partilhar como segunda pessoa, aos meus queridos amigos e leitores.

As saudades que sinto do Gerês são já muitas e falta-me o calor humano da amizade e da camaradagem que por essas terras pairam. O pessoal da associação Vezeira são muito porreiros, houve gente de fora que apareceu, que gostaria de ter o privilégio de conhecer pessoalmente mas que não foi possível, devido à minha ausência, e depois aqueles amigos que já têm um cantinho no meu coração  quis o destino manter-nos a Km de distância, mais uma vez. E a vida é mesmo assim, o que vale é que será tudo temporário, e enquanto assim for não estamos mal!


E então o dia começou com o ponto de encontro na aldeia de Fafião, como não poderia deixar de ser.
Após minutos de conversa e apresentações, há que por pés ao caminho, não imaginando o que teriam que caminhar. O  trilho  até ao curral do Pinhõ com um declive de cerca de 600 m por um estradão debaixo de um sol nada meigo para a época. Escusado será dizer que a maior parte optou por uma boleia em viaturas de todo o terreno, que mesmo assim foi difícil  tendo em conta a quantidade de pessoal que levaram, fora o material para o almoço e plantio!

E  cá estão elas!as árvores para plantar!
Ao longe, e lá em cima, o curral do Pinhõ
Vale do Conho
Esta foi uma das carrinhas que deram boleia! Obrigada companheiros!
 Depois da primeira paragem há que por o pessoal a carregar, há pois é! Não é só passear e encher a barriga! Primeiro estão as obrigações! Os homens carregavam com os tocos de madeira que iriam servir para estacas dos Carvalhos, e é para isso que Deus criou a musculatura masculina! Enquanto isso as meninas faziam companhia enfeitadas de pequenas árvores de viçosas folhagens, que Deus nosso Senhor criou, as mulheres!


Ironias à parte, todos ajudaram como puderam pois ali não havia  lugar para" Castelos Brancos"!!
E como a vida não é só trabalho, a organização optou por uma  pausa para restituir energias, à sombra de um grande Carvalho, no curral de Pousada.


Bom, isto de contar tudo em segunda pessoa é  um pouco estranho, nunca tinha relatado nada desta forma... estar a vender o peixe conforme me foi vendido a mim, e a preço de custo!
Depois disto seguiu-se a distribuição do pessoal pelos diversos Currais,  a maior parte quiseram ir para Rocalva, que por acaso é um curral que conheço e um dos mais bonitos do Gerês, já para não dizer, na minha opinião, o mais fantástico. O primeiro grande trilho que fiz na Serra do Gerês foi até lá! Nunca irei esquecer! Meu Orion optou pela Amarela pois nunca esteve lá! Poucos foram os que optaram por ela.
Gostaria de ter  lá estado, de percorrer aqueles prados todos, mas só poderei falar do prado da Amarela, o que para mim foi mais que bom saber desta opção tomada, e do que por ali perto acabou por ser registado.


Minha  amiga White Angel optou pelo mesmo curral, minha amiga Orquídea também  tinha vontade de o fazer,  mas acabou por optar ir antes para o curral da Pousada pois não se sentia lá muito bem, ai o calor de trovoada e na montanha não é nada meigo! Foi uma escolha sensata amiga, caso contrário terias apanhado um belo banho de granizo! Já lá vamos!

Curral dos bicos altos
Chegado ao prado da amarela e após decidirem o local a plantar a árvore, quase com a mesma já definitivamente colocada.. Há que  colocar no lugar mais seguro por causa dos animais, conselho dado pelo "engenheiro".
Curral da Amarela

E é destas mulheres que o povo Português precisam! Não só falam, mas também trabalham! E as eleições são já hoje!!!
E ainda por cima, uma mulher que vale por muitos!!
És o nosso orgulho amiga! Reparem no pormenor das unhas bem cuidadas, mas que não tiveram problemas em sujar as mãos, em terras abençoadas por Miguel Torga!!
Depois do trabalho  concretizado não há coisa melhor do que sacar uns  saborosos chouriços e umas bebidas, sentaram-se à sombra do grande castanheiro ali  presente e ouvir umas histórias em 1ª pessoa dos Vezeiros e também de Angel que já quase faz parte de tudo aquilo!  Mas nesta terra não é preciso pedir para trazerem boa disposição, ela é nata por natureza! Ai que tristeza não ter estado lá!


Após um pouco  mais para as barrigas, que isto de trabalhar abre mesmo o apetite, cada um decidiu o caminho a tomar, alguns ainda queriam ir a outros prados, ao contrário de Orion que optou registar as imponentes vistas que por ali pairavam e o desejo de ver os lírios do gerês e fotografa-los para mim.

E temos as imponentes montanhas Sombrosas, lá ao fundo!!

Vou divulgar aqui e agora sim em primeira pessoa, o meu grande desejo que tinha para este ano: ver pessoalmente os Lírios do Gerês!! Mas devido a um contratempo que tive em partir um dedo do meu pé, precisamente na altura em que os lírios florescem no Gerês, por este andar vou-me contentando em ver os mesmos registados em fotos. O meu querido Orion teve a sorte de os encontrar e registou-os para mim, segundo diz, ali eram às dezenas!


Só foi pena pouco depois começar a chover torrencialmente seguindo-se uma grande descarga de granizo!!! Verdade!! Foi tempo de correr e sair dali para fora o mais rápido possível. Graças à experiência de Angel foi possível ir o mais rapidamente possível para a cabana Padrolã e por lá  se encontravam quatro companheiros de caminhadas que por acaso estavam a fazer o trilho da Vezeira.

A chuva abrandou mas uma parte dos participantes apanharam um belo banho ! Valeu o prémio final, umas grandes tachadas de massa com carne e uma chanfana à moda do vezeiro, que alguns membros da associação tiveram a amabilidade de preparar, para uma grande parte da gente citadina, que bem precisa de arranjar umas boas cores, ou não fosse o bom vinho que por ali acompanhava tudo o resto, no curral de Pinhõ!
Bem quanto à comida não me posso prenunciar, apenas sei que estava tudo muito bem, e fico eu aqui a olhar para a grande panela de massa e a chuchar no dedo! Quanto à chanfana, que parece que também estava apetitosa, não me prenuncio, pois para quem já me conhece já sabe que não come cabras nem cabritos e para quem não sabe, passou a saber!
Resta-me ficar por aqui sem saber o que realmente meu coração sentiu depois de ouvir e relatar isto tudo! Mas na minha alma apesar de parte dela realizada por saber a forte aderência da plantação dos currais, e de da  boa disposição reinante, fica um enorme vazio dentro de mim que só será preenchido na próxima oportunidade.

Cabana Pinhõ
O gado da Vezeira


Até lá, um bem haja a todos os que tornaram possível esta acção e todas as que se realizam por esse Gerês fora. Um especial parabéns mais umas vez à associação Vezeira!
Dedico também este post ao nosso amigo Paulo Figueiredo que por motivos laborais não pode estar presente, mas que muito se dedica sempre que pode a estas causas.

 A todos dedico este belo lírio!!

01/06/2011

Cascatas Tahiti (Fecha das Barjas)

Algures entre a aldeia da Ermida e de Fafião, saltita montanha abaixo, uma das mais belas e maiores cascatas do Gerês. 
 São conhecidas pelas cascatas de Fafião, mas alguém que gostou tanto do cenário, resolveu baptizar as mesmas de cascatas Taithi!... Porque será?!

O acesso para estas cascatas depois da estrada, é por caminhos pedestres com média a elevada dificuldade de acesso, visto os trilhos serem muito sinuosos e agrestes. É preciso segui-los com muito cuidado! Pode-se tornar muito perigoso!
Seguindo estas cascatas de uma beleza exclusiva do nosso Portugal, formando pequenas lagoas aqui e ali, a maior lagoa situa-se rodeada de areia sendo um sítio fantástico para passar-mos umas belas manhãs, tardes ou quem sabe umas férias de Verão!

E mais não vou dizer, penso que as imagens que vos deixo, falam por si!












Tu és  a esperança, a madrugada.
Nasceste nas tardes de Setembro,
Quando a luz é perfeita e mais doirada,
e há uma fonte crescendo no silêncio.

Para ti criei sem sentido,
inventei brumas, lagos densos,
e deixei no ar braços suspensos
ao encontro da luz que anda contigo.

Tu és a esperança onde deponho
meus versos que não podem ser mais nada.
Esperança minha,onde meus olhos bebem,
fundo, como quem bebe a madrugada.
                                                                                           " Eugénio de Andrade"