" Paz das montanhas, meu alívio certo! "

14/06/2013

Quem tem medo do lobo ibérico?

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O lobo-ibérico pode estar de regresso a regiões de Portugal onde não era visto há mais de 10 anos. No centro-norte do país, grupos de investigadores têm registado a presença regular de diferentes alcateias em zonas há muito tempo abandonadas por esta espécie.

Numa reportagem feita pela SIC, "Lobos e Homens", os especialistas falam de um regresso natural deste que é último grande carnívoro da fauna portuguesa. O crescente despovoamento de algumas regiões é o principal factor de atracção, permitindo o regresso do lobo em números cada vez maiores. 

Viana do Castelo, Castelo Branco e Guarda são alguns dos distritos onde a presença do lobo ibérico tem vindo a ser registada. Recorrendo a equipamentos como colares GPS, armadilhas fotográficas e câmaras de infravermelhos, as equipas de investigação têm conseguido recolher provas do regresso deste predador.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas defende, contudo, acções de sensibilização para os criadores de gado destas áreas que são, actualmente, os maiores inimigos desta espécie, devido aos ataques a rebanhos sem vigilância.

Com estas campanhas de formação, o ICNF acredita numa reaprendizagem da coexistência com o lobo-ibérico. O objectivo é evitar ataques aos rebanhos, especialmente em regiões com poucas presas silvestres (como corços, javalis e o veados).

Considerado uma espécie em perigo de extinção, o lobo-ibérico encontra-se protegido por lei desde 1988, sendo proibido o abate ou captura do mesmo.

"O lobo tem um papel fundamental no ecossistema. Protegê-lo vai permitir proteger uma série de outras espécies. Além disso, creio que nós temos uma responsabilidade acrescida para proteger e conservar este último grande carnívoro que temos", disse à SIC Helena Rio-Maior, bióloga do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto.

Já extinguimos o lince e o urso, portanto, agora, temos um compromisso para com o lobo, que é uma espécie mais generalista", acrescenta.

Os dados indicam que os primeiros lobos terão chegado à Terra muito antes dos humanos, pelo que a existência da espécie pode já atingir um milhão de anos.


fonte

12/06/2013

Sirvozelo - Fraga do Paúl


       Iniciamos esta caminhada tendo como objectivo principal a subida à fraga do Paúl. Optamos por começar em Sirvozelo, uma das mais pequenas  e desconhecidas aldeias da serra do Gerês, recentemente ganhou um pouco de notoriedade pois serviu de pano de fundo para a campanha da "Aldeia Global" da Optimus.  O nosso percurso acompanhou a barragem da Paradela, atravessou o ribeiro de Dola, Alto da Abelheira e daí em direcção aos prados de Currachã.  A subida à Fraga não é fácil, é preciso encontrar a melhor vertente para ascender, mas vale a pena. No retorno ainda tivemos de ultrapassar o último obstáculo, os Cornos de Candela, a partir deste ponto o percurso não tem subidas muito acentuadas. Permanecia uma incógnita a ligação de Entre Caminhos e Sirvozelo. Um antigo trilho centenário ligava Sirvozelo aos prados de Candela e da Biduiça. Esse trilho, devido ao pouco uso, corre o risco de desaparecer,  a vegetação aos poucos está a cobrir o trilho. Algumas giestas parecem árvores. A Natureza está a reclamar o que é dela por direito.

        Em resumo foram 28 km de uma caminhada bastante exigente, apesar de 90% do trilho se processar por antigos caminhos de pastores, em algumas partes a vegetação tomou conta dos trilhos o que tornou a progressão mais demorada e difícil. Ficam algumas fotografias da caminhada.

Sirvozelo

Barragem da Paradela


Ribeiro Dola







Antigo abrigo de pastores

Fraga do Paúl


Tulipa selvagem












Espero que tenham gostado. Até à próxima.

02/05/2013

Pela Serra da Cabreira

A serra da Cabreira estende-se pelos concelhos de Vieira do Minho e Cabeceiras de Basto.  O seu cume é Alto do Talefe, com 1262 metros de altitude.

Reza a lenda que a Serra da Cabreira deve o seu nome a uma jovem e bela cabreira que por ali costumava guardar seu rebanho. Numa manhã de Sol um cavaleiro muito elegante, ficou como que maravilhado diante da moça. Logo ali Cavaleiro e Donzela trocaram as suas juras, como se só eles existissem no Mundo. Mas tudo tem um fim, diz o Povo e é a Verdade.
Em certo momento o Cavaleiro lembrou-se que tinha de partir.
- Escuta, minha bem-amada... Eu vou, mas voltarei o mais rapidamente possível. Já não posso viver sem ti.
Triste, suspirando, ela apenas confessou:
- Nem sequer sei quem sois... Como vos chamais...
Ele riu, dominador e feliz.
- Pouco importa... Sou o homem que tu amas e te ama... Mas se queres saber mais, digo-te que sou o Conde de uma vila próxima e virei buscar-te em breve para o meu palácio.
Espera por mim!
-Esperarei até ao fim da minha vida…
E esperou, na verdade, até ficar quase morta de fome, de cansaço e de frio (e de desilusão, também!)
-Preciso de o encontrar, preciso de o encontrar de novo... nem que para isso tenha de ser ave e voar...
E chorou.
Chorou tanto, tanto, que o caudal das suas lágrimas se transformou num Rio e esse rio foi banhar a terra daquele que a abandonou: "Vila do Conde".
E o bom Povo quis perpetuar, com toda a justiça, o amor desgostoso da moça pastora.
Por isso, deu à Serra onde ela vivera a sua grande paixão, o nome de Serra da Cabreira e já que ela queria ser ave e voar, passou a chamar ao Rio da Vila do Conde, o Rio Ave...

A Serra da Cabreira tem permanecido fora dos principais circuitos turísticos devido a estar localizada muito próximo da Serra do Gerês, destino de excelência para quem procura paisagens serranas. A génese desta caminhada resultou do amável convite feito pelo Pedro Durães, do blog BotaPróMonte, convite que desde já agradeço. Por ironia do destino quem nos orientou foi o nosso amigo Rui França, proprietário da casa de turismo rural Casa do Andarilho. O Rui tem sido um dos grandes defensores e promotores da Cabreira. Na nossa modesta opinião não podíamos ter melhores guias. 

O trilho iniciou-se na ponte românica de Agra e seguiu de perto o curso do Rio Ave, até à sua nascente, que resulta na confluência de três ribeiras, que nascem em três fojos. Para quem conhece, como nós, o rio Ave no seu curso a jusante, fica admirado pela limpidez cristalina e pureza das suas águas nesta parte do rio.

Ponte românica de Agra
Na nascente do Ave.
Nascente do Rio Ave

A nossa caminhada levou-nos até ao Fojo de lobo, do Pau da Bela. Um dos três fojos do complexo de fojos da Cabreira, de poente para nascente, o fojo Novo, como o nome indica o mais recente, do início do século XX, o Fojo do Ribº das Figueira Bravas e o Fojo do Pau da Bela. O Fojo encontra-se em bom estado de conservação, e data dos finais do século XVI a inícios do século XVIII.

Fojo do Pau da Bela


Pau da Bela

Serra do Gerês

A Lili Caneças da Cabreira.
Bosques da Cabreira



Pelo seu tamanho pareciam sequóias 


Costa dos Castanheiros, imaginem-na no Outono






O negativo que temos de salientar é a profusão de "fitas" que marcam os trilhos deixadas pelas organizações de eventos, que não se deram ao trabalho de as retirar. Realço a publicidade negativa à empresa Unicer, detentora da marca de água "Vitalis", que aparentemente patrocinou estas provas, devida à  quantidade de plástico, com a marca da empresa, que deixam em zonas protegidas da serra.



E assim terminamos a nossa caminhada na casa de turismo rural, "Casa do Andarilho", um espaço acolhedor e confortável, na aldeia típica de Agra, ponto de partida para a descoberta dos místicos bosques da serra da Cabreira.

Até à próxima.