" Paz das montanhas, meu alívio certo! "

17/10/2013

Sarilhão











Um dos nossos objectivos montanheiros para 2013 era subir até ao alto da fraga do Sarilhão, que se situa perto da povoação do Campo do Gerês. Existe um PR do parque, o PR5- Águia do Sarilhão, que o contorna mas, devido à falta de manutenção, este trilho encontra-se em estado de abandono e degradação.

O nosso primeiro ponto do itinerário foi a casa florestal da Junceda,  desta vez optamos por uma abordagem diferente, mais directa, no entanto o trilho escolhido encontra-se pouco cuidado e em algumas partes imperceptível. Com alguns desvios, lá chegamos à casa florestal da Junceda. Mais um triste exemplo do abandono do património edificado no parque nacional. Da Junceda prosseguimos pelo PR das silhas dos ursos até à Tojeira, já com os prados de Gamil à vista.

A partir da Junceda verificamos que os trilhos tinham sido abertos e limpos. Quem teria sido? O parque ou a vezeira do Campo? Por um destes acasos da vida encontramos o nosso amigo Paulo Figueiredo, do blog nogerês3, que nos tirou as dúvidas. O responsável pela limpeza e abertura dos trilhos é o Conselho Directivo do Baldio de Vilarinho da Furna/Campo do Gerês, um bem haja e que continuem o bom trabalho. Outra das surpresas do dia foi encontrar uma placa a assinalar o trilho, em plena serra!!!, até parece que estamos num parque europeu. Assim não há como enganar, desconfio que tenha sido posta pelos mesmos que limparam os trilhos.  

Resolvemos almoçar nos prados e então decidir o caminho de regresso. Estavam duas hipóteses na mesa, a descida pela fraga do Sarilhão ou pela bouça da mó. Desde o incêndio de 2012 ainda não tivemos coragem de retornar à bouça da mó e ver de perto a desgraça. Para quem já reparou e se perguntou onde foi tirada a  fotografia (sim é uma fotografia) que aparece no header do blog, é uma fotografia da bouça da mó, antes do incêndio. Ficou decidido, foi adiado, mais uma vez, a descida à bouça da mó,  optamos por trilhar por novos caminhos. Pensando nós que íamos desbastar mato à catanada, outra surpresa!!! Abriram o antigo trilho que passa pela fraga, agora parece uma auto-estrada, não há que enganar, o trilho termina no coberto de observação do trilho do sarilhão. Daí até ao Campo é um salto. 

Concluindo a abertura, limpeza e sinalização dos antigos trilhos do Campo do Gerês proporciona a qualquer pessoa, com o mínimo de preparação física,  novas oportunidades de caminhar em montanha e a oportunidade de novas perspectivas sobre a albufeira de Vilarinho da Furna. Recomendamos.

Algumas fotos do dia.


A subida à Junceda
Casa florestal da Junceda
Prados de Gamil
Não há que enganar, é só seguir a placa.

Eles andam aí.



genciana


Do alto do Sarilhão

O nosso objectivo longínquo.
Campo do Gerês

Não é o macho a ser devorado :)



Auto-estrada de montanha, por enquanto sem portagens.
Viemos de lá de cima.
aldeia do Campo do Gerês
Veiga de S. João

Até à próxima.

20/09/2013

Trilho de Secelo e Preguiça


Sempre sentimos curiosidade por este trilho, e a razão do seu abandono.Tínhamos a indicação que tinha sido uma antiga PR e que acompanhava o rio Gerês, por ambas as margens, atingindo, no seu ponto mais distante, Secelo, daí o nome do trilho, na estrada que liga a vila à Portela de Leonte. Começamos no parque de estacionamento do Vidoeiro e seguimos por um estradão florestal que acompanha a margem esquerda do rio Gerês, contornando o parque de campismo. Ao longo do trilho ainda são visíveis algumas marcas do antigo PR.  A partir de um dado momento o trilho bifurca-se em dois caminhos, um com grande pendente em direcção à casa florestal de Lamas e outro descendo para o rio, atravessando-o por uma ponte de madeira. A partir deste ponto poderíamos ter retornado mas, devido à pouca extensão do trilho, resolvemos fazer a ligação com o trilho da preguiça. Daí descemos até ao rio Gerês desfrutando da frescura do rio. O retorno fez-se por antigos caminhos/trilhos até ao parque de estacionamento do Vidoeiro.

Para quem ainda não tem a noção do perigo que representa para o Parque Nacional a infestação das  mimosas aconselhamos que percorra este trilho, pois percorre uma grande floresta de mimosas, algumas já com o porte de grandes árvores. Do coberto florestal original pouco resta, a mimosa não permite o crescimento de outras espécies.  

A introdução de espécies de Acácia (mimosa) no Gerês teve início em 1897-98, com a plantação em diversos locais do perímetro florestal de 550 pés de acácias pelos antigos serviços florestais com o intuito de reflorestar e segurar as encostas* “que ao tempo se encontravam desnudados na sua maior parte”. "Em Setembro de 1989 deflagraram no PNPG dois incêndios florestais de grandes dimensões: um com origem no lugar de Bouça da Mó, junto à albufeira de Vilarinho das Furnas, freguesia de Campo do Gerês, outro com origem na encosta do Romão, freguesia de Vilar da Veiga, que lavraram na serra durante dois e três dias, respectivamente. A área afectada atingiu um total de 2650 ha, constituída sobretudo por pinhais de Pinus pinaster - alguns com um século de idade -, e pinhais de Pinus sylvestris. O fogo afectou também um número incalculável de carvalhos centenários na mata de Albergaria, e percorreu a encosta da Pereira, onde havia sido plantado entre 1898 e 1905 o primeiro núcleo de Acacia dealbata."*O incêndio de Setembro de 1989 foi reconhecido como “facilitador” da invasão, pelo estímulo à rebentação da planta, e pela remoção da cobertura vegetal (Silva & Baptista, 1989).

A situação actual é de catástrofe anunciada pois toda a margem  esquerda do rio Gerês, encosta da Pereira e Costa de Istriz é dominada pelas mimosas, ameaçando o ex libris do parque, a mata da Albergaria. Detectamos vários núcleos de mimosas ao longo do trilho da geira e demos o nosso pequeno contributo para a erradicação de alguns pés. Neste momento já nem se discute a eliminação das mimosas,  "o trabalho de Sísifo", mas a limitação da sua expansão. Infelizmente não parece ser esta uma prioridade do PNPG.

Ficam algumas fotos do dia.
Até à próxima.


*retirado da Dissertação de Mestrado de Manuel José  da Silva Miranda Fernandes
 "RECUPERAÇÃO ECOLÓGICA DE ÁREAS INVADIDAS POR ACACIA DEALBATA LINK NO VALE DO RIO GERÊS: UM TRABALHO DE SÍSIFO?"


Rio Gerês

Costa de Istriz










Fezes de raposa?


15/08/2013

Misarela 2013

Nos dias 5 e 6 de Julho na aldeia de Sidrós, Ferral, concelho de Montalegre celebrou-se a festa da ponte da Misarela, também conhecida por ponte do diabo. Este ano além da já tradicional representação teatral das lendas associadas à ponte, participou a Asociácion vecinal e cultural casco vello, de Vigo, na representação das invasões francesas. A festa foi animada por vários grupos, dos  quais destacamos os  Sons da Suévia.




A celebração terminou com uma queimada realizada pelo bruxo Queiman.
Apresentamos algumas fotografias do evento e uma reportagem da TvBarroso.
Os nossos parabéns à organização.


Sons da Suévia



Ponte da Misarela




Bruxo Queiman