" Paz das montanhas, meu alívio certo! "
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09/06/2012

Na companhia de " Dias com árvores "





Pés ao alto, descansado e relaxado?...Não de todo!! Antes deste momento, houve umas dezenas de Kms nas pernas e um calor daqueles de retirar o ar, sem uma pequena brisa das montanhas pelo meio.
Valeu a pena?! Nem é pergunta que se faça!!

Arenaria Montana vulgo Arenária ou  Arísaro

Graças ao convite pessoal do Águia-Real, na companhia da sempre amiga  White Angel, aos companheiros que tivemos a oportunidade  de conhecer e trocar experiências únicas e à simpática partilha da  sabedoria de Paulo Ventura Araújo e Maria Pires de Carvalho, usufruímos de um dos melhores  fim-de-semana de sempre!

A finalidade era acompanhar  Paulo Ventura e Maria Pires titulares do blogue  "Dias com árvores", e que por sinal também têm um livro intitulado "À sombra de árvores com história" , da Gradiva,que não hesitei em levar e pedir um autógrafo aos dois simpáticos autores.
Maior foi o privilégio de podermos acompanhar este casal de "botânicos", como lhes chamávamos, os quais fizeram questão de humildemente esclarecer que não eram botânicos! mas que sabiam...sabiam!!Quanto a isso não restou dúvidas! Por aqui aprendi que de facto o saber nunca ocupa lugar, e quando se aprende com gosto e se transmite o que se sabe, é extraordinário!!

Começamos o trilho ligeiros, mas rapidamente passámos a passo de caracol com uma grande casa às costas!
As paragens eram constantes e a finalidade era mesmo essa, qualquer espécie botânica que para nós quase  passa despercebida, tínhamos o simpático casal a assinalar uma paragem obrigatória, sempre com um olhar brilhante e contagiante em relação ao que encontravam.




Pinguicula Lusitanica ( insectívora)

E lá ia eu com o meu fiel bloco sempre na mão, a tentar captar os nomes das plantas, tarefa tão simples para este casal mas que para nós era sempre um nome estranho que rapidamente se ia tornando familiar.

Pedicularis
Gallium
Ajuga Pyramidalis



Drosera rotundifolia vulgo "Orvalhinhas"  (Insectívora)

E entre muitas que acabei por me dispersar, com grande pena minha mas o trilho acabou por se tornar muito longo, e a mochila de 10 Kg começava a ressentir-se nas costas! Pior que tudo era o calor! Ò sim o calor neste fim de semana  como costumam lhe chamar, de trovoada! arrasava qualquer ser vivo! E a água das nossas  garrafas não paravam de refrescar as gargantas dos que percorriam a Quina das Agulhas em direcção à Touça, mas não ficaríamos só por aí, seria bom! No curral da Touça já eu ficava, se pudesse.





Neste dia a Vezeira de Fafião também subia aos seus currais. Pena não podermos acompanha-los, mas de  longe tivemos a alegria de presenciar o fumo que já faziam em alguns dos seus currais. Estavam a limpar as cabaninhas!!
Reparem bem na foto, ao  longe há dois focos de um fumo branco...são eles!






Carlos Silva, o titular do Blogue
 "Nature-The place where you live" não parava de fotografar as irresistíveis paisagens, tal como a maior parte dos que levavam as suas tecnologias...

mas a sua verdadeira paixão, já tinha eu percebido que eram os insectos!
E não tem ele a sua razão?
Tudo nesta serra é divinal!!Até estes pequenos seres tão delicados!





Traça das ervas (eurrhypis guttulalis)






As Sombrosas ou Portas Ruivas, já marcavam a sua presença lá ao fundo.
Seguimos o caminho das cabras, passando por um local ou outro mais manhoso, que requeria um certo cuidado nas passadas a dar, mas a paisagem compensava tudo o resto e com a ajuda de todos, tudo se ultrapassou perante a imponência destas montanhas que a mãe natureza nos ofereceu :)

















Fizemos uma paragem antes mesmo de chegar à Touça, mais precisamente na lagoa do porto da Laje.
Aqui deu para todos se refrescarem, descansarem e fortalecer os corpos maçados do calor.

E bem que soube a Fábio que já não sentia os seus ombros.



lagarto de água (lacerta schreiberi)
Pois é companheiros...ainda temos muito para andar!
As abróteas já recheavam o prado da Touça

 Havia ainda muito a percorrer, depressa  o pequeno grupo se compôs, deixando para trás a água que refrescou os nossos corpos ou simplesmente suavizou as mãos, os pés e as faces de quem busca saciada mente a vida de toda aquela energia contagiante!
Passando o rio Touça, rumo ao prado com o mesmo nome acabámos por abastecer as nossas garrafas nas água correntes do rio do Laço, uma vez que a água da fonte estava fechada.



Abrótea (asphodelus)


Seguindo na direcção da corga do laço e já com o majestoso caucão do lado direito, fomos adquirindo uma paisagem soberba com as grandiosas sombrosas a ficarem para trás com um grande pano de fundo. Por um carreiro cada vez mais surpreendente, mas duro na parte final, cuja subida íngreme  seria direccionada ao bem conhecido estreito.





Bem antes disso Libelinha exclamava a cabra que tinha acabada de ver a meio da encosta do Coucão! Mas não companheiro não é uma cabra, é um corço!! O seu pequeno rabinho branco não deixava baralhar os indecisos! E como em todos os corços, não sendo este uma excepção, depressa saltitava que nem um coelho bravo camoflando-se entre as pedras e o tojo sem dar qualquer hipótese de as máquinas registarem aquele curto e feliz momento! Felizmente temos a memória ...
Repousamos mais à frente no prado da Laço antes mesmo de passar pela pequena floresta encantada da corga e subir, quase parecendo que trepávamos, o colina curta mas interminável até ao estreito!!







E agora é que são elas!!E isto é só o começo...

E aqui não consegui parar de olhar para os que ficavam para trás, era preferível pararem e acalmar a pulsação cardíaca. E devagar se vai conquistando uma colina e daí a nada uma montanha, e outra se seguirá e tem sido sempre assim as nossas conquistas por estas terras geresianas. Pior são as montanhas e os declives da vida de cada um de nós, esses custam mais a conquistar. Mas aqui? pelo contrário! fortalecemos!E a nossa vida também terá outra resistência!
E duvidosos serão aqueles que nunca experimentaram, as  pernas que teimam em nos obedecer, o peso nas costas, o coração a sentir-se nos ouvidos e os lábios a saber a sal!!

E depois disto tudo, há vem o delírio da paisagem vista de cima e a satisfação de mais uma conquista e uma etapa atingida por todos!!

 Já no topo e um pouco mais à frente cruzamonos com alguns companheiros já conhecidos. Umas breves trocas de palavras e aventuras desse dia e já a maior parte descia a montanha rumo a Padrolã , Carvalhosa e Fafião incluindo os dois companheiros Paulo Ventura e Maria Pires.

 



Muito Obrigada aos dois!!
E muitos parabéns por terem conseguido nos acompanhar e ainda terem o entusiasmo da partilha do conhecimento, neste dia de calor sufocante!
Espero ter o prazer da vosso companhia mais vezes!









Até uma próxima!

Um bem haja!




E pouco mais de meia dúzia, seguiram rumo a Rocalva, o prado mais cobiçado das terras de Fafião!

Alecrim das paredes (helianthemum nummularium)



 
 


Com o curral do Vidoeirinho já muito perto e a meda da Rocalva a espreitar, fizemos uma breve paragem no dito curral para encher as garrafas que neste dia não paravamos de esvaziar e seguimos para Rocalva

















E sem não esquecer o que ficou para trás, o melhor ainda estava para vir!!
Não percam o " próximo capitulo ", prometido brevemente!

28/07/2011

Lagarinho


        Estes dias estivais convidam a trilhos mais moderados, de preferência com paragem com direito a banho. A Lírio tinha planeado mais uma ida ao poço azul, mas sinceramente não sou muito adepto de estar um dia inteiro a apanhar banhos de Sol, mesmo que seja o Sol do Gerês. Pois resolvi unir o útil ao agradável e resolvi fazer um trilho que terminasse no poço azul. Há já algum tempo que fazia intenções de explorar a zona em redor dos Bicos Altos e ir até à cabana do Lagarinho, que não conhecia. Já tinha visto este curral à distância mas os trilhos que tinha feito por aquela zona  para ir ao Lagarinho implicavam um grande desvio.

 O início do trilho já deve ser conhecido,  inicia-se no parque de estacionamento da cascata do Arado e seguindo o estradão passa-se a Malhadoura, Tribela, ponte das servas e curral do Pinhõ, aqui despedi-me do meu grupo que seguiu para o poço azul enquanto que eu segui em direcção de Pousada. Aqui o tempo começou a aquecer, e muito, estava um dia muito quente. Ao longe comecei a ouvir os latidos de um cão e vozes, afinal não era o único demente que resolvia caminhar com este calor. Ao longe avistei algumas cabras domésticas, um pastor e respectivo cão, devia ser a vezeira de cabras de Fafião em Matança. Ainda pensei em descer para trocar algumas palavras com o pastor mas depois tinha que subir mais e com este calor!! Continuei até ao curral dos Bicos Altos e contornando-os resolvi sair do trilho para melhor avistar a paisagem, céu limpo, algumas nuvens para dar consistência ao céu, estava um tempo ideal para fotografias, é pena que a minha máquina esteja a ganhar manias e às vezes deixa-me ficar mal.

Resolvi retomar o trilho que leva até ao Curral da Amarela onde almocei com direito a mesa e cadeira à sombra de um carvalho secular. Começam a despontar os primeiros crocos. A partir daqui até ao Lagarinho é um pulo, apesar de ficar a uma cota mais baixa lá consegui chegar ao curral do Lagarinho, é um curral simpático, não gostei foi do telhado de zinco, deve ser um dos poucos currais de Fafião com telhado de zinco. As vistas para o rio Fafião são fantásticas como podem ajuizar, é pena que o Fafião neste momento não leve água e as famosas piscinas naturais estejam secas, porto da Laje não tem água, e pensar que no Inverno uns colegas tiveram que retroceder passo porque o Fafião não os deixava passar, de tanta água que levava.



Resolvi seguir um trilho tradicional que parte do Lagarinho  até ao  curral da Touça, como suspeitava lá estavam as mariolas a indicar a descida. Uma das minhas intenções originais era descer até à Touça e acompanhar o percurso do rio Laço até à nascente, mas com este calor era suicídio e tinha a Lírio à minha espera no poço azul. À distância avistei o delta topográfico que era um dos objectivos secundários deste trilho. Mas era preciso subir, e muito, com calma, e devagar, metro a metro, lá se foi vencendo o declive.



Sim dou razão à White Angel é um lugar muito especial. Daqui caminhei até à nascente do rio Laço e aí desci em direcção ao Conho. Já tinha feito este trilho mas no sentido inverso, no ano passado, e tenho a informar-vos  que alguma alma caridosa construiu  algumas mariolas para indicar a descida, não é que haja dúvidas, é sempre a descer, no final refresquei-me na nascente do Conho, que bem me soube aquela água. A partir daqui o trilho é intuitivo e apesar do mato existe trilho. É só seguir o rio Conho até se atingir o poço azul. Nunca tinha visto o poço azul com tanta gente, mas lá estava o meu grupo a "trabalhar" para o bronze, eu próprio com esta caminhada estava um pouco mais tostado. A água estava gélida e tinha-me esquecido dos calções de banho!!?? Só deu para molhar as pernas, sempre é melhor que nada. Nota mental, levar para as caminhadas calções de banho.











Para finalizar e não os maçar mais só tenho a dizer que nunca tinha encontrado tanto trânsito para sair do Gerês, todos tiveram a mesma ideia e vieram para o Gerês, a banhos. Ainda bem, pode ser que este ano o Gerês consiga recupera da calamidade dos incêndios do ano passado. Oxalá.

Até à próxima.