" Paz das montanhas, meu alívio certo! "
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31/12/2013

Gerês pincelado de branco!



Foi uma decisão de última hora! Após tantos dias seguidos de chuva, tivémos a sorte de ser presenteados no passado dia 29 com um dia timidamente mais luminoso e sem chuva.

As saudades do "meu" Gerês eram muitas, hà já algum tempo que não visitava as montanhas que iluminam o meu espírito e hipnotizam a minha mente!

Sabia que não iria calcorrear muitos kms, pois levávamos o nosso pequeno rebanho, mas era quase certo que iríamos encontrar neve no Borrageiro, como no ano passado.

O nosso cabritinho mais novo estava muito entusiasmado, não parava de questionar pela suposta neve que lhe prometemos visualizar, à medida que subíamos o trilho em direcção ao curral do Vidoal.

Ainda o curral não se avistava e já os primeiros aglomerados de farrapos de neve começavam a surgir aqui e ali e o entusiasmo apoderava-se da família " cabra do Gerês".


As montanhas mais altas já espreitavam quase imaculadamente brancas...quase!
Lindas! Só era mesmo pena o céu neste dia estar coberto por uma neblina fria e muito húmida que nos visitava de vez em quando, não permitindo clarear a visão mais distante!

Tal como imaginava o curral do vidoal estava coberto por um manto branco, foi a primeira vez que o vi assim, sem o verdejante do pasto dos animais que o visitam nos belos dias da Primavera e do Verão.

A alegria apoderou-se e já as pequenas bolas de neve circulavam freneticamente pelo ar, como não era de esperar outra coisa!


Era ainda cedo, continuámos o percurso, na ligeira esperança de ir até às antenas do Borrageiro, mas ficámos pela chã da Freza. Aqui a neve era mais compacta e macia, mas a neblina fazia-se sentir cada vez mais cerrada, achámos prudente não avançarmos mais...

...enquanto isso as montanhas lá em cima sussurravam e parecendo chamarem-me... ou seria o enorme desejo de um abraço saudoso da minha parte...

"fica para uma próxima amigas, não me esqueço de vós"


Voltámos para trás em passo acelerado, com os pés numa constante marcha em terreno húmido e algumas linhas de água do degelo a apoderarem-se do carreiro transitável!! As minhas bochechas e as do meu cabritinho mais velho estavam vermelhinhas, contrastando com a nossa pele de branca de neve...só faltavam os sete anões!!

Não parámos para almoçar sequer! Estava muito frio e húmido e os meninos arrefeciam rapidamente! Seguímos montanha abaixo até à viatura e aí saciámos os nossos apetites depois de mudas de calçado e algumas peças de vestuário molhado!

Terminou assim, o ultimo dia do ultimo fim de semana de 2013, por terras Geresianas, onde habitam as mais belas montanhas de Portugal!

Aos  nossos amigos das montanhas, dedico este pequeno momento junto daqueles que mais amo !





A todos os amigos quero agradecer os  momentos preciosos que passámos juntos este ano.
Mesmo para aqueles em que não foi possível cruzarmos um grande abraço  e também as minhas sinceras desculpas pelos convites que tive que negar diversas vezes.
Agradeço do fundo do coração àqueles que estiveram mais atentos e que me apoiaram neste ano de  grande mudança para mim, e que apesar de tudo não foi fácil! Obrigada por me ajudarem a continuar a levar a minha vida para a frente amigos :) Irei fazer os possíveis para que este ano que vem, escreva e publique como alguns dizem, "com o coração"!
Quero agradecer todos os sorrisos que os meus cabritinhos me retribuíram durante o ano!!!É tão compensador!!! São uma bênção da Natureza!!
Quero agradecer ao meu querido e adorado Orion por ter mantido o espaço deste blog minimamente actualizado, se não fosse ele este blog já teria estado um pouco estagnado no tempo...
E por fim quero mais uma vez agradecer às montanhas geresianas, pela força e coragem que sempre oferecem- me sem nunca pedir absolutamente nada em troca!!



Desejo a todos um ano de 2014 recheado de muitas visitas às montanhas, adornadas de  total plenitude e momentos quase intangíveis para o comum dos mortais!!!


FELIZ 2014

Lírio





17/03/2013

À espera da Primavera.

ANUNCIAÇÃO 
Surdo murmúrio do rio,
a deslizar, pausado, na planura.
 Mensageiro moroso
dum recado comprido,
di-lo sem pressa ao alarmado ouvido
dos salgueirais:
a neve derreteu
nos píncaros da serra;
o gado berra
dentro dos currais,
a lembrar aos zagais
o fim do cativeiro;
anda no ar um perfumado cheiro
a terra revolvida;
o vento emudeceu;
o sol desceu;
a primavera vai chegar, florida. 
                                                                                Miguel Torga 

02/12/2010

Gerês de branco



01-12-2010

Chegou a primeira vaga de frio deste quase final de ano. Embora ainda com a presença de uma das estações mais belas de sempre, o Inverno resolveu antecipar-se e com ele trouxe a primeira neve. Como não podia deixar de ser, depois de ver as notícias na TV que falam de quase tudo nestas alturas, menos do nosso  Gerês , foi graças às informações que vamos obtendo do blogue Carris,  que ficámos logo a saber que a linda serra já estava pintada de branco no dia anterior, e não pensando duas vezes lá fomos nós tentar a nossa sorte! E que grande sorte! Já tínhamos passado Braga quando avistámos as primeiras montanhas brancas, com o sol a reflectir nas mesmas, de ferir o olhar de tanta luz e excelência! O dia estava claro e perfeito, completo de sol e apenas algumas nuvens muito cãs e arredondadas, prometia! A nossa finalidade era ver a mata da Albergaria. Já tínhamos tentado no ano passado mas a estrada estava interrompida, será que desta vez iria acontecer o mesmo? Passamos a vila do Gerês e poucos Kms mais acima estava o sinal que tanto temíamos… “Transito proibido”. Mas desta vez demos a volta ao contexto e determinados invertemos a marcha , passamos novamente pela Vila, passamos a ponte e fomos por S. Bento até ao campo do Gerês. Confesso que ainda não tinha ido lá mais depois dos grandes incêndios que lavraram na serra amarela e na Calcedónia. Já bastou assistir ao triste cenário na televisão, ver ao vivo iria doer muito mais, aguardaria a primavera e a primeira vegetação. Mas desta vez fomos. Fomos porque a serra amarela que passou a serra negra era agora uma serra branca e singela. A Calcedónia também estava vestida da mesma cor e imponente como sempre, magnífico! Na Albufeira de Vilarinho dava para perceber que do outro lado estava um pouco das pedras da aldeia submersa de Vilarinho das Furnas a espreitar fora da água intensamente azul . A Albufeira estava mais vazia, devem de ter descarregado água da barragem. Uma vez ali e para chegar à estrada nacional que atravessa a mata da Albergaria, só havia uma direcção: seguir pelo famoso caminho de terra batida da bouça da mó. Fomos um pouco tensos no início pois não sabíamos o estado em que se encontrava. Logo mais à frente cruzámos com um carro, depois uma carrinha e um jipe. A carrinha e jipe não não são exemplo, mas o carro se veio de lá para cá, também dá para ir de cá para lá, e continuava a nossa viatura a marchar muito lentamente devido aos frequentes buracos cobertos de água. Pouco mais á frente já se avistava neve nas bermas verdes e húmidas e já os marcos miliares da geira romana estavam cercados da mesma. Haviam bastantes piscos-de-peito-ruivo a atravessarem-se no nosso caminho, pareciam estar delirados com a nossa visita! Belo cenário! Parámos à frente perto de uma das muitas casas florestais que infelizmente já não têm utilidade nesta era. Os miúdos começaram a ter contacto com a primeira agua congelada e as primeiras bolas começam a voar e a atacar! Estavam delirados! Continuámos , fomos até à portela do homem onde aí ficou a viatura. Enchemos as barrigas, sopinha quente para os miúdos e toca a abalar que este raro momento presente precisa de ser saboreado ao máximo!

O resto já não me saem as palavras mais belas,  intensas e adequadas para descrever o que senti durante todo o percurso. Fizemos a mata quase até à portela de Leonte, só não fomos mais porque o nosso miúdo mais novo já estava a ficar cansado de tanta excitação e ainda tínhamos que fazer tudo para trás, o bom senso aqui prevaleceu. Ficou-me marcado neste trilho a fragrância da vegetação e da terra húmida, até as escorrências de água pareciam perfumadas. Subi só um pouco à costa da Sabrosa, e olhando lá para cima senti uma enorme vontade de ser uma ave rapina para poder voar e apreciar o belíssimo cenário que lá devia residir. Para terminar tinha que haver o tradicional boneco de neve, tanto pedido pelos miúdos e que fomos faze-lo num dos currais dos antigos habitantes da aldeia de vilarinho das furnas. Espero que eles não levem a mal e já agora dedico toda a felicidade que partilhamos e que sentimos naquele local, a toda a boa gente que já habitou a bela aldeia, tanto aos que já se foram como aos que ainda cá estão! Um bem haja!
Aldeia submersa de Vilarinho das Furnas
Pisco-de-peito-ruivo






Marcos miliares ( Parte da Geira Romana)














 
Carris estás tão perto e tão longe! Prometo que te vou visitar novamente!






















Rainha destas redondezas,que já me fizes-te chorar quando me senti impotente!As chamas consumiram-te, mas aí estás tu montanha encantada!

Se eu te pudesse abraçar!

Bela serra das três cores! Será que para a primavera vais estar novamente coberta de amarelo?




Calcedónia

Se eu pudesse voar!!