" Paz das montanhas, meu alívio certo! "
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20/02/2014

Inverno no Gerês


Ao longe os montes têm neve ao sol,
Mas é suave já o frio calmo
      Que alisa e agudece
      Os dardos do sol alto.

Hoje, Neera, não nos escondamos,
Nada nos falta, porque nada somos.
      Não esperamos nada
      E temos frio ao sol.

Mas tal como é, gozemos o momento,
Solenes na alegria levemente,
      E aguardando a morte
      Como quem a conhece.

Odes De Ricardo Reis
Ricardo Reis

17/04/2012

Chuva finalmente!

 .. Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se
-Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E quando haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...


                                                                                                -Fernando Pessoa-





A chuva tardia
Deixou perfumes na terra já quase sombria!
Nas pedras e montanhas molhadas
cobertas por água abençoada!
Nas urzes a florir!
Na carqueja a expandir!
Carvalhos, teixos, azevinhos tudo a sorrir!


Há e também os animais já não morrem de sede :)

Uma bênção dos céus cheia de vida
Deixou a nossa, que nem um arco-íris, toda colorida!
E na nossa serra adorada
ficou retido finalmente, o cheirinho da terra molhada :)


                                                                -Lírio-
                                                                                                           



Chuva!Bem haja!! És bem vinda à nossas vidas,  a mãe Natureza agradece! As nossas crianças também!

21/12/2011

Feliz Natal 2011



 

Para todos os nossos amigos, companheiros, familiares e leitores deste pequeno espaço, sempre aberto aos que mais apreciam o lado belo e simples da vida, desejamos a todos um Natal na companhia dos que mais amam, com saúde, boa disposição e paz de espírito. 




 
Tudo que vier acima disto é bem vindo mas não se esqueçam do ingrediente principal neste dia: Receber mas também partilhar a amizade pelos outros, principalmente pelos que mais necessitam, as prendas é secundário, uma simples mensagem um telefonema ou a nossa presença se  possível, poderá ajudar a sorrir  muitos dos que nos são queridos, e tornar este dia ainda mais especial!


   

         
                       

        FELIZ NATAL

Que a paz e a harmonia festejadas neste Natal, estejam presentes em todos os dias do novo ano, que está quase a chegar!! 
Um Grande abraço para todos! 

23/05/2011

Pilhas carregadas e mochilas ligeiras


  

     Quando consultava uma revista espanhola, na rubrica "Cartas ao director", não me passou despercebido o pequeno texto, que conta a história inicialmente triste de um leitor, que conseguiu dar a volta à vida e procurar forças, precisamente naquilo que muitos de nós adoramos fazer: O prazer de caminhar na montanha !

       Passo aqui o testemunho daquilo que li em espanhol:
       ( penso que se percebe bem )


" (...)Un dia decidi escribri, porque también tengo una história que contar Y una forma de dar gracias a la montaña.
Yo perdi un hermano por una leucemia. Es algo tan triste que sólo lo sabe quien lo ha pasado. Al princípio es como una enorme y pesada mochila que va contigo a todas partes.
Mi mochila se hizo más ligeira gracias a mi amigos y sobre todo a la montaña.(....)
(...) siempre que volvía de la montaña regresaba con  sensación de satisfacción que llenaba el vacío; te sientes pletórico. Supongo que es la frase esa de " con las pilas cargadas" y gracias a días como esos consegui hacer mi mochila más y más ligera.
Sigo disfrutando de la montaña. No me importa la estación de año, todas tienen lo suyo, ni tampoco me importa si subo una montaña más o menos dura o es un paseo. Lo que importa es la sensación de " pilas cargadas". Al fin al cabo es lo que cuenta."
                                                               

                                                                                                              José Miguel Ozcariz




     

  Aqui dá para perceber perfeitamente o que muitos de nós sente quando regressa da montanha!
Como diz José Ozcariz e muito bem, não importa se o passeio é duro ou menos duro, e que importa é a sensação de pilhas carregadas.
       Costumo dizer muitas vezes aos amigos ou conhecidos, que vou para a montanha sempre que posso, "carregar as baterias", curioso só troco pilhas por baterias...mas sinto precisamente a sensação deste leitor, a mochila vem mais leve, muito mais leve! E o peso nos ombros ao longo da semana é mais suportável, quase que não dá para notar! Felizmente não passei  pela dor que o José Ozcariz passou, e espero nunca o saber! Espero que o mesmo consiga  sempre supera-la o melhor possível, com muitos amigos na sua companhia.
       Adoro a montanha, andar, correr ou simplesmente estar parada, sentada a escutar os  seus sons, sentir a brisa serrana na cara, beber directamente dos ribeiros, transpirar de satisfação! Sozinha,  com muitos ao poucos amigos, amo esta actividade que possivelmente fazeria todos os dias...se pudesse!




                                   

30/12/2010

Sonho de montanhista



Eles não sabem nem sonham

Que o sonho comanda a vontade

E sempre que um montanheiro sonha

O corpo pula e a perna avança

Como um ser de tenra idade
 
Entre uma vontade de ser criança!




Eles não sabem nem sonham

Que o sonho é uma beleza

E sempre que um montanheiro sonha

O mundo fica mais preenchido

Como o prado ao pé da meda

Como as palavras de um bom amigo!









Salta! Corre! como uma cabra ou um garrano!

Dá a tua força aos que querem sonhar!

Quem pensa que há melhor, não sente o fascínio!

De poder seguir em frente e marchar!




Sorri! Sente!Como o Sol ,como o coração!

Dá o que tens, basta só isso!

Sente a capacidade de fazer os outros felizes!

Pois estás em pleno paraíso na terra!

Não é preciso rimar



Basta apenas acreditar!







Perco o sono, perco o medo!

Mas não perco o sentido de orientação!


Sigo sempre as pedras e o bruto granito

Como se do ventre delas tivesse surgido.

Repouso no seu colo e suspiro,

Dá-me montanha a tua vida a tua energia!


 
Eles não sabem nem imaginam!

Como é fascinante a Natureza!

Como é gratificante a sua beleza!

Beber da água pura e fresca!

Sentir desejo de ficar alí...

E de nunca mais de lá sair!!





Se eu pudesse te levar!

Se eu pudesse te agarrar!

Minhas mãos são tão pequenas!

Minha alma é  tão imensa!

Está reservada para  ti!

E para todos a quem eu amo!

Eles não sonham nem desejam!

O mesmo que eu a ti!

Cada um seu sentimento,

Cada sentimento a sua alma,

Cada alma o seu desejo,

Cada desejo o seu prazer,

Mas se este prazer terminar...que irá acontecer?!!




Sente a presença, sente a imponência!
Sente a vontade e a inocência!.




Águia de asa redonda, a onde vais?

que andas a voar tão alto!

leva-me ao céu contigo,vem!

Que lá de cima digo adeus à minha serra!





25/12/2010

Natal de 1951



Regresso

Regresso às fragas de onde me roubaram.
Ah! minha serra, minha dura infância!
Como os rijos carvalhos me acenaram,
Mal eu surgi, cansado na distância!

Cantava cada fonte à sua porta:
O poeta voltou!
Atrás ia ficando a terra morta
Dos versos que o desterro esfarelou.

Depois o céu abriu-se num sorriso,
E eu deitei-me no colo dos penedos
A contar aventuras e segredos
Aos deuses do meu velho paraíso.



                                                                                                 - Miguel Torga -

30/11/2010

Idriss, a minha estrela Tubu

  
"Não há dia nenhum que passe sem que imagens de crianças se atravessam na minha memória, crianças que a presença dos meus filhos mantêm vivas, comoventes e motivadoras de uma acção que norteia a minha vida há vinte anos.Vou falar-vos do Idriss, que operei no Chade em 1981. Marcaram-me os seus olhos apavorados, interrogadores e tristes quando, baleado pelos líbios, me veio parar às mãos na tenda cirúrgica que tinha então montada no oásis de Kulbus, na fronteira com o Sudão. Esses mesmos olhos revi-os nas crianças que conheci desde o equador, a Geórgia, o Azerbaijão, a Somália, o Nepal, a Palestina, o Líbano, o Iraque...e em mais de quarente países subdesenvolvidos 8 hoje hipocritamente apelidos de « menos avançados »e amanhã possivelmente « em avanço progressivo ». Mas o Idriss marcou-me particularmente. Hoje ainda penso nele, nos camelos e no magnífico céu estrelado do Sara.
O Idriss guardava cabras e camelos. Tinha oito anos quando teve a infelicidade, e com ele o seu primo Mustafa e outras quatro crianças pastoras, de se cruzar com uma patrulha Líbia das forças de ocupação daquele país na Chade, que suportava então o presidente GouKoni Oueidei. Os pastorinhos mereceram como saudação várias rajadas de metralhada que mataram quatro pequenos, muitos camelos e cabras. Safaram-se Idriss e Mustafa. Os outros, diziam-me os meus heróicos e espartanos amigos tubus, tinham enriquecido o número de estrelas no firmamento, pois eram inocentes. O Mustafa, de seis anos, « felizmente»nomeio de tanta estupidez, só tinha levado um tiro na perna direita que lhe fracturou o fémur. Foi fácil ajuda-lo e ficou bem. O Idriss estava pior. O meu primeiro pensamento, ao ver o estado do seu braço esquerdo, foi amputá-lo: cirurgia expeditiva mas salvadora de tantas vidas em situações extremamente carenciadas como aquela em que me encontrava. Tanto mais que  trabalho não me faltava, com tanto tiro, tantas minas e tanta carência sanitária. Posto Perante a minha intenção de lhe cortar o braço, o Idriss rompeu num choro, implorou e ...conveuceu-me: faria tudo por tudo para lhe manter o braço partido, estilhaçado, martirizado. Tive de lhe amputar o quarto e quinto dedos da mão, mas o resto cumpri: reparações, enxertos de pele, gessos... Foi bonito e Alá foi-nos favorável enquanto o operei, por tres vezes, em cima das caixas de obuses libioss que me serviam de mesa operatória. Os pais, pobres e gratos, quizeram oferecer-me duas galinhas, que recusei, poi, embora passando mal, ainda estava menos magro do que eles. O Idriss, rapaz esguio e sorridente, voltou à sua pastorícia e aquela mão esquerda de tres dedos servia-lhe para transportar um balde de água do poço, agarrar um pau e atirar uma pedrada aos seus pachorrentos camelos. O meu Idriss, se ainda for vivo, terá vinte e quatro anos e, estou certo, olha comendo uma tâmara para o magnifico céu estrelado do Chade, pensando nos seus amigos e, quem sabe,no fernado que, tal como uma estrela então fiquei rico graças ao Idriss, consegui ir além do que pensava ser capaz e desde então contunuar fiel ao que lhe prometi: cada vez que olho para as estrelas penso no Chade e no Idriss. e sonho com um mundo sem balas, alimentando a esperançade um dia assim ser´para bem de todos os Idriss.


P.S- em 1983 voltei ao chade. Não consegui notícias do Idriss. oxalá não seja já uma estrela..."

                           - Fernando Nobre-



Cartaz da cruz vermelha internacional exibindo fotografias de crianças em campos de refugiados no Chade, intitulado           " Ajude-nos a encontrar nossas famílias"- 2005
Foto de um campo de refugiados no Chade-2005

12/11/2010

Albergaria



Ai Albergaria do meus olhos!

Dos meus sonhos e desejos!

És tu que aconselho com calma e seriedade.

A contemplar-te na sua pureza e plenitude!

És para as minhas tristezas e alegrias!

Para me receber assim completa.

És luz de qualquer maneira,


Tudo que a noite te aguarda,

Tudo que segue nessa estrada,

Seguirei um dia terra acima

Para te ver toda Albergaria!


 Ai! Que todos te conhecem, e nada sabem

Como meu descanso, verdade linda,

És tua a minha Albergaria!


Bonita e singela e bela


doce verde e serena Albergaria!

Teus sons , teu cheiro, tua água, teus seres!

 
De olhos posto em ti, digo de rastos


Ah! podem voar mundos, morrer astros,




Que tu és como Deus: princípio e fim!

11/11/2010

Velhas àrvores

Olha estas velhas árvores, — mais belas,
Do que as árvores moças, mais amigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera e o insecto à sombra delas
Vivem livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E alegria das aves tagarelas...



Não choremos jamais a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,
Na glória da alegria e da bondade,



Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

                        - Olavo Bilac-

Flôr Silvestre

Contemplar este mundo num grão de areia
E o céu numa flôr silvestre
Acolher o infinito na palma da mão cheia
e a eternidade numa hora agreste

Terra tão linda com herois tão grandes
Bom sol nacional localizado
Pelo melhor calor que aqui expandes
Calor Suave e verde só a nós dado!

26/10/2010

O que a gente ganha

 


Por entre árvores verdes e belas
Acompanhando um trilho alegremente
Vou amassando algumas folhas já amarelas
E um ar afável refresca a minha mente
Parece impossível estar aquiNum pequeno éden na terra
Troncos de árvores secas já avisto ali
No chão repousam, amputados pela serra
É a garra humana a laborar
Precaver desta maneira é bem melhor
Não vá o nefasto fogo actuar
Tornando este quadro no pior
Limpar a Floresta é mesmo preciso
Zelar por ela é bem mais necessário
Apesar de haver mais que um aviso
Por vezes torna-se num amargo cenário
Caminho afortunada pelo verde rindo
Prontamente saciada fico quando avisto água
Salto e calco à medida que vão surgindo
As pedras escorregadias do rio entusiasmada!
Peço aos anjos e demónios
A tudo que seja impossível de ver
Imploro a todos os Capricórnios
Que persistam esta terra proteger

Demónios que saboreiam o fogo
Quero vê-los prontos a ceder

Algum dia será um eterno todo
E um todo irá cessar de gemer
Nesta senda leve e cristalina
Em contorno dos que já vão
Decalco a solo como numa salina
Sentindo o meu corpo em acção


Venham todos contemplar
Mas que sublime é a montanha
Falta-me muito ainda a aprender
O que Deus faz e o que a gente ganha
Vamos tentar sempre dar a volta a isto
Procurando sempre que necessário, melhor direcção
Se continuarmos a possuir um muito disto
De exuberância enche-se o meu o teu e o nosso coração

Paisagem

"O que mais há na terra, é paisagem. Por muito que do resto lhe falte, a paisagem sempre sobrou, abundância que só por milagre infatigável se explica, porquanto a paisagem é sem dúvida anterior ao homem, e apesar disso, de tanto existir, não se acabou ainda(...)Tanta paisagem. Um homem pode andar por cá uma vida toda e nunca se achar, se nasceu perdido. E tanto lhe fará morrer, chegada a hora."

José Saramago

25/10/2010

Terra mágica


Cada vez me convenço que a Natureza tem mais poder do que aquilo que imaginámos.
De todas as vezes que me encontro num local de “ respeito” sinto-me uma garota secundária apesar de desfrutar  de um cérebro, que me dá imensas capacidades e competências próprias do um animal racional,   não sou nada comparando-me com uma montanha, com a agua e o fogo, com vento, o sol , as árvores e até de algumas espécies de fauna.

Há lá coisas que nunca me cansam!
Coisas! Não são dignas de serem chamadas de tal! Não!
São realidades factos e acontecimentos, são sensações e emoções que despertam a nossa sensibilidade na mais profunda existência.
Poder olhar e contemplar, pequenas parcelas de terra bela e genuína, e poder agradecer ao todo poderoso a graça de estar completa e possuir vigor suficiente, para poder alcançar tais sítios abençoados, da nossa magnificente natureza.Gerês a nossa princesa!