" Paz das montanhas, meu alívio certo! "
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21/05/2012

Lagoa do Marinho com os Caminheiros da Montanha


Num destes fins de semana encontrei-me, pela segunda vez este ano, com os nossos amigos da secção de montanha do C.C.Porto.

Trilhando finalmente as terras serranas, da serra Amarela, subimos e descemos, como em toda as serras, mas isso será tema para daqui a algum tempo!

Pois na verdade a minha amiga Teresa comentou " Então ainda não publicas-te aquele dia que passeamos até às lagoas do marinho?!, foi tão porreiro!" ao que respondi " Tens razão! Mas nem imaginas o que ainda tenho para publicar!!"
Tendo de começar por algum lado e como não resisto a um desejo de um amigo, então cá vai!

Amiga Teresa esta página dedico-a a ti :)

Rio Cabril
Pela manhã do dia 10 de Março, já lá estávamos nós em Cabril a tomar o primeiro café da manhã na padaria/confeitaria do local. Conversas em dia e possibilidades de um trilho que já prometia alguma adrenalina, caso o Francisco Vieira decidisse subir a Surreira  do Meio dia! Era ver White Angel com os olhos a brilhar, de sorriso delirado,  com a esperança de concretizar um trilho há muito desejado! Mas não, não fomos por lá ficando a promessa de  um dia fazermos esse percurso.

Vamos lá rumo à serra, que já se faz tarde! A carrinha já partiu com o "cozinheiro" João e a companhia do Ricardo que desta vez não estava para aventuras! E atrás, que não da carrinha, vai o grupo "Caminheiros da montanha" , seguem antes pelos caminhos dos pastores. Connosco iam também alguns membros de "Uma aventura na saúde". Tenho-vos a contar que o desnível inicial é bastante elevado, pois partimos de Cabril, junto ao rio, até ao prado de Tabuacinhas, local em que já tínhamos passado, numa caminhada anterior, por terras de Pincães, onde nos  contaram a história das ruínas da casa do resineiro, homem que veio de Leiria, assentou e casou por terras geresianas e resolveu construir casa neste lugar ermo. Neste prado ouvimos a história do "penedo de ouvir o mar", a imaginação dos pastores!!!. Ouvir o mar, a tantos kms de distância!!! Faz-me lembrar a história do pastor que nos perguntava, admirado, qual a beleza que víamos na serra!!! Bonito, para ele, era o mar, uma imensidão de água a perder de vista, isso sim é que era bonito, não as agrestes penedias que só lhe traziam à memória uma vida de árduo trabalho serrano. 

Teixo


Tritão


















Após um breve descanso, lá seguíamos para a Lagoa do Marinho, pelo caminho, o José partilhou connosco o seu amor pelos poucos teixos centenários que encontramos e a White Angel, o seu conhecimento ímpar da serra e seus costumes, num dos prados encontrámos uma cabana abandonada pelos pastores, já coberta de silvas.

Para que não restem dúvidas, ainda há lobos ibéricos na serra de Gerês.





Só sobrou a pele e os ossos.
 
 Chegados à Lagoa do Marinho lá encontrámos os nossos companheiros, a quem calhou, preparar o almoço. E que almoço, vitela barrosã grelhada na brasa!!! Com um toque serrano, cebola inteira grelhada na brasa.



Cabana de Penedã


Lixo que o João e o Ricardo foram apanhando pelo caminho!!!!


Vai uma fatia??
Especialidade Serrana

E já se cantava um fadinho...
Após o repasto e salutar convívio, com histórias de pastor e cantigas pelo meio,  resolvemos descer a serra, apesar de tarde  resolvemos descer por um trilho alternativo, já com a certeza que terminaríamos o mesmo de noite. Este trilho alternativo passa perto do famoso poço dos mouros. É pena que o fogo florestal, de Outubro do ano passado, que devastou Xertelo e destruíu parte do coberto vegetal. O trilho desce até ao rio Cabril, ficando na retina o curral das cabras e a sua passagem, de cortar a respiração, sobre o rio cabril. No final ainda conseguimos vislumbrar a Surreira do meio dia, e as histórias de um passado recente, da nidificação da águia real e da destruição dos ninhos, por parte da população local, com receios que as águias levassem um cabrito.


Alto dos  Chamiçais
Rio Cabril
Curral das Cabras



























Até à próxima amigos!!

29/02/2012

Limpeza nos currais das Negras (1ªparte)

Foto de Xavier Lopes


Não há carreiro pelas montanhas do Gerês, onde não se detecte a  presença humana, da forma mais insustentável possível!
Latas de bebidas, beatas de cigarro, garrafas de bebidas, pacotes de bolachas, latas de conservas e até já vi fraldas e pensos higiénicos!!!! Confesso que até me custa escrever isto, mas mais custa assistir a estas conspurcações do nosso Gerês! Que pensam estas criaturas  quando visitam o nosso único parque nacional? Não presta?!!É só bom para depositar o lixo?!!
Aliás não só me refiro ao Gerês, pois em todo Portugal lá vamos vendo latas a saltarem da janela do carro que vai à nossa frente... um pacote de cigarros que esvaziou e é repentinamente projectado para o chão...papelitos das caixas multibanco amarrotados a um canto de uma caixa automática, etc, etc e muitos mais etc!!
Mas como será que ainda ninguém se apercebeu que existem umas caixinhas mágicas, nas quais é permitido colocar a lixo que fazemos todos os dias, basta apenas um simples gesto de levantar um pouco o braço e voilá! Magia! desapareceu!! Muita boa gente ainda não se apercebeu disso pois não?!

No passado fim de semana, a convite do grupo "Caminheiros da  montanha", lá fomos nós, mais uma vez, calcorrear as montanhas geresianas, com a finalidade de limpar os currais das Negras.
Para nós até é um prazer arranjar sempre um pretexto para poder receber uma brisa serrana, respirar o ar puro e deliciar-nos com as montanhas esculturais que esta serra  guarda.
A companhia foi excelente e então quando vi o Sr. António Veras  fiquei delirada!
Como já referi neste espaço e volto a relembrar, o Sr. Veras foi o último Vezeireiro desta zona, já não vigia o gado que vai para a serra como antigamente o fazia. Agora o Sr. António Veras é sempre um convidado muito especial  e acarinhado por todos nós!

E desta vez Sr. Veras teve direito a mochila e tudo e que bem lhe ficava!


E lá vai ele, um verdadeiro caminheiro da montanha!
A vegetação da serra este ano, está muito seca. Como todos sabemos o S. Pedro por enquanto só deseja apanhar banhos de sol e chuva nem cheirinho dela. Grande parte do carreiro até às Negras já foi consumido pelo fogo no ano passado e, por este andar, outras se seguirão se não chover nos próximos meses. Falando assim até parece que a culpa é cem por cento do tempo, porém o principal causador destes cenários enfarruscados é e será sempre o homem, um dos maiores criadores e o principal destruidor da terra que nos acolhe.
E com o chão em tons de queimado e fetos secos, marchavam dez caminheiros, com gostos em comum e experiências de vida a partilhar.





E as montanhas que mal tinha conseguido observar da última vez que passei por aqui, devido ao nevoeiro que persistia na altura, estavam agora completamente à vista.






Antiga eira de centeio
E quando menos esperávamos, eis que alguém deu o alerta: Cabras!!
Onde?!!
Ali em cima!!!!
Ena tanta cabra!!




Ficámos imenso tempo a contemplar as mesmas que estavam lá no alto, e que por sinal foram simpáticas pois permitiram que pudéssemos observa-las, até desistirmos e continuar o trilho.


Curral da Negras




Para nosso espanto mais à frente, num grande penhasco, havia mais um grupo delas!! Foi um espectáculo observar estes animais que tanto adoro, caminharem com tal facilidade pelo precipício e sem derraparem!!
Será que já alguém se lembrou de inventar umas botas de casco de cabra?!



A ideia com que fiquei é que se tratava de um rebanho só, constituído por dezenas de cabras montesas e que procuravam se juntar, ficaram possivelmente um pouco atarantadas quando nos viram ali por perto.
Aqui estavam alguns bodes que possivelmente se iriam encontrar com as primeiras cabras que avistámos. Estavam todas em geral a cerca de 150 metros do nosso grupo, e foi para nós um momento único, um grande momento de felicidade que só quem lá esteve presente consegue descrever!!

Mas o tempo não podia parar e já o Martins preparava a fogueira, o que iria fazer?


No meio deste curral verde rodeado de montanhas soberbas e uma paisagem fabulosa...

Escondia-se uma autentica lixeira entre as pedras, como se não quisessem que a gente visse...um pouco difícil não dar com ele, mas que coisa aberrante!!Vou ter que estragar a minha página!
Isto é só uma pequena parte...

Mas devem de pensar que o camião do lixo da câmara municipal passa por cá, não?!

Começamos primeiro por injectar o organismo de calorias, precisávamos de força para limpar aquele lixo todo e para carregar com ele!
Foi então que os caminheiros da montanha   apresentam-nos um grande farnel, digno de se comer! Chouriço e salpicão assado, com vinho tinto a acompanhar, sumos, diversos salgados, ovos cozidos e no final tivemos direito a um cafézinho com pau de canela e um digestivo ardente!! Bravo pessoal, pensaram em tudo.


Enquanto que António Veras contava algumas das suas histórias...

Recheava-se a mesa...

Os chouriços  assavam...

E toca a ingerir!!




Já Sr. Veras que nunca se deu ao luxo de semelhante " comezaina", resmungava por entre os dentes, intrigado e sem perceber  o porquê  de toda aquela boda, " se lá era preciso tanta coisa !"
Mas que soube bem, soube, e ainda estou a ver a cara do peixe-aranha a babar-se, pena não ter tirado uma foto!!
 E depois de barrigas cheias, toca a colocar mãos à obra e vejam só...não faltavam objectos a pescar!!

Grande Carlos!!


Resultado: Quatro sacos !!

O grupo
Deixámos os sacos temporariamente no curral. Daí seguimos de visita ao pico do Nevosa e depois passaríamos novamente pelo curral para pegar os sacos.

E afinal, ainda não estávamos sós!!

Fantástico.



 Os bodes juntaram-se ao restante rebanho e partiram!

E nós também partimos rumo ao Nevosa!



E mesmo no começo acabámos por nos separar um pouco. O Sr. Veras virou à direita mais o Ricardo, Peixe-Aranha seguiu-lhe o rasto, e  acabei  por ir com eles também.
Em passo certo e ligeiro, Sr. Veras trilhava os caminhos há muito desaparecidos. Cada vez tinha a sensação que nos afastávamos mais do grupo, mas seguia os passos do filho da serra e sentia-me confiante! Passámos por zonas de bastante mato, não via carreiro, mas o Sr. Veras continuava à frente com tal firmeza e convicção que a dada altura , questionava-me a mim própria onde é que aquele homem de estatura baixa e miúda, ia buscar tanta velocidade e força! Incrível!! Dá gosto ver!!

(Foto de Xavier Lopes)
(Foto de Xavier Lopes)
(Foto de Xavier Lopes)
Lá seguimos rumo ao Nevosa, o ponto mais alto da Serra do Gerês e do Norte de Portugal!

Um grupo seguiu por cima, nós os quatro fomos por baixo e ficámos de nos encontrar no Nevosa...mas não foi bem assim que aconteceu pois houve um pequeno mal entendido, que no fundo até tinha a sua razão e que agora até dá para rir!! Afinal se não houvesse pequenos desencontros não teríamos tanto para contar e aprender...mas contarei na 2ª parte, logo que for possível e mais novidades irei revelar. 

Que segredos a serra do Gerês ainda oculta ???