" Paz das montanhas, meu alívio certo! "
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26/04/2012

Manifestação contra a taxação das visitas às àreas protegidas

 Hoje, 25 de Abril, dia da revolução dos cravos e da liberdade de podermos demonstrar publicamente, sem medo, a opção de escolha de cada um de nós. Para uns é mais um feriado, que por enquanto ainda não foi retirado, e possivelmente até pouco importa a seu significado pois será mais um dia para ir à catedral do consumismo. Para outros foi o dia  para ficar em casa, mais uns minutos ou horas no leito quentinho a saborear a sinfonia do vento e da chuva, que se fazia ouvir lá fora.
Pois que bem sabia estar no conforto do nosso lar, e é graças a muita gente que hoje  temos esse mesmo conforto, pois se nunca lutassem pelos seus ideais e não enfrentassem tudo de errado que tem vindo a surgir ao longa da nossa história, se nunca saíssem do seu leito acolhedor, hoje não podíamos "dar-nos ao luxo" de usufruir da qualidade de vida que ainda temos ao nosso alcance!
Ah mas hoje,ainda houve muitos Portugueses, que sairam do conforto do leito  e que levaram como companhia a força e a paixão pela liberdade e natureza! SIM  seguimos estrada fora rumo aquilo que senti não como uma obrigação, mas como um direito de puder dizer que NÃO, a mais uma das leis mais absurdas do direito à liberdade, de poder caminhar livremente pela Natureza.

Para terem a noção do ridículo se 11 pessoas quiserem  caminhar pela estrada alcatroada da mata de Albergaria, tem de pedir autorização, com 40 dias de antecedência ao ICNB, pagar 152,00€ e esperar que respondam e deem autorização (podem não dar e podem não responder atempadamente, sabemos de um caso que demoraram 4 meses a emitir a autorização), mas se as mesmas 11 pessoas resolverem, cada uma delas fazer o mesmo trajecto de carro (ou seja com  11 carros) não precisam de pedir autorização a ninguém e não pagam nada!!!???


 Na terra nasci e na terra irei falecer, não pedi licença para respirar o primeiro ar da vida, ar esse  comum a todo o ser humano que procura a melhor forma de viver e de saborear a água o vento  e as montanhas que pertencem a  todos nós!!!

Hoje, 25 de Abril de 2012 concentraram-se na Vila do Gerês, fustigada por vento e chuvas torrenciais, cidadãos portugueses que vieram defender um bem  é desconhecido de muitos! O prazer do contacto com a Natureza.


Uma bela apresentação, clara e precisa do que nos levava ali numa manhã chuvosa como há muito não se via!
E toca a marchar!

Devido às condições meteorológicas não nos foi possível fazer o percurso que estava previsto inicialmente.
Muitas mais poderiam ser, se não fosse a nossa querida chuva...
Caminhamos  simbolicamente até ao centro de Educação ambiental do Vidoeiro.
E já lá, como já era de esperar, encontrava-se fechado! Só funciona em dias úteis de expediente, aqueles  dias que nós também trabalhamos...

Foi uma manhã preenchida de vozes  não se calaram ao som da chuva, e que foi abençoada pelo sol já só quando regressávamos a nossas casas! Só depois é que percebi que até as águas dos céus fizeram mesmo questão de de juntar a nós!!Valeu a pena meus amigos, valeu e vale sempre a pena "quando a alma não é pequena", já dizia Fernando Pessoa.

Quero dar os meus parabéns a todos os que não desistiram e que ajudaram a formar este grupo de gente formidável! Quero agradecer também aos que participaram e  em especial aos que tornaram esta iniciativa possível ! E ao presidente da Câmara de Terras do Bouro e ao apoio das forças vivas da Terra.


Força para todos e não desistam!





Parabéns a todos os que saíram à rua neste dia por outras causas também, em especial à gente do Porto, em particular ao movimento Es.Col.A que tomou a iniciativa de ocupar a escola da Fontinha que estava completamente abandonada, tornando possível tornar uma escola abandonada e degradada num espaço útil e criativo para a comunidade local e que infelizmente foram  recentemente varridos pela prepotência que  tem  vindo cada vez mais, a sufocar os ares no nosso querido país! Força minha gente!Não deixem desmanchar esse tão valioso cordão humano!

Para mais informações:

blog Carris 
Preço dos bilhetes para os parques naturais são "um autêntico disparate"

13/03/2011

Geração à Rasca!



Querido Gerês:
Hoje era suposto ir ter contigo para participar na plantação de mais umas árvores, numa pequena parte do teu território, mas não fui. Custou-me imenso tomar esta decisão mas teve de ser. Tive de estabelecer prioridades, e neste caso a prioridade era ir em direcção à cidade Invicta participar na manifestação "Geração à rasca ".

Peço-te desculpa por esta minha decisão, mas há momentos únicos que não se repetem, pelo menos da mesma forma, e este foi um deles. Além disso o país precisa de mim e de todos nós.  Sei que também precisas, mas eu lá estarei para te cobrir de árvores nas próximas oportunidades, e sabes que te adoro, estarei sempre do teu lado até dizer adeus à vida! Tu o grande exemplo para todos nós, com imensas qualidades reconhecidas, pela gente que se disponibiliza a trabalhar de graça, em prol de um Gerês muito melhor, enquanto que os senhores da lei, que também te reconhecem e te elogiam, não passam de tretas, aos actos, nem de graça  nem a pagar! 

Pois hoje fomos de metro até ao Porto, a cidade dona do meu coração! Não imaginava o que iria encontrar!
As expectativas eram fracas, sempre com a ideia de que o povo Português é muito pacífico, acomodado (à excepção do futebol...)  e daí não estar muito convencida em encontrar muita gente por lá. Mas fui, é o meu dever como cidadã deste país. Não sou precária... por enquanto, não estou desempregada... por enquanto. Mas fui em nome de todos os que estão desesperados. Em nome dos que por lá já passaram, dos que ainda não sabem o que lhes espera, dos que já cá estão, dos que ainda estão para vir. Em nome do futuro dos nossos filhos!

Saímos na estação do Bolhão e corremos em direcção à  Praça da Batalha, sabendo por informação de um amigo que já lá se encontrava, que a manifestação já tinha começado. Não chegámos à praça da Batalha, nem de perto! Mal entrámos na rua de Sta Catarina já ouvia as pessoas a comentar pelos passeios " Ena, tanta gente! ". Olhámos para o fim da  da rua que estava coberta... de um mar de gente! Ficámos perplexos sem saber o que fazer! Resolvemos esperar, que se aproxima-se para nos  juntarmos à mesma.
Confesso, querido Gerês que não estava nada à espera daquele cenário! A marcha chegou a nós e continuou em passo lento, cheia de gente nova e menos nova, crianças, grávidas, deficientes, pais, filhos, avós! Gente que viveu o 25 de Abril, lá estavam para nos dar força, dispostos a refundar tudo de novo! Verdade Gerês! Eu vi! E ali fiquei algum tempo no passeio a contemplar aquele cenário de gente serena  mas de voz alta e  braços arguidos! Ouviam-se frases já antes proferidas como " O povo unido jamais será vencido", "Sai do passeio e vem para o nosso meio", "País precário sai do armário" , "E o povo, pá?!" e outras mais. Batiam palmas e transpareciam os seus desejos. Fiquei quase que emocionada e dei comigo a bater palmas a toda aquela gente que passavam à minha frente, fantástico! Fiquei orgulhosa com o povo do meu país!
Bem querida serra, depois juntei-me à marcha pois claro, estava ali para isso mesmo! Passei de espectadora a "trabalhadora", sem dúvida que esta foi uma forma de trabalhar por todos nós!
Foi um dia que jamais irei esquecer. Uma manifestação pacífica, espontânea, sem intervenção de partidos, sem diferenças de idade, cor, profissões,  classes e religiões. Nada foi planeado, não havia propriamente uma ordem a seguir, foi tudo muito natural, estávamos todos ali pela mesma causa. Direita e esquerda se uniram para formar uma só! Lindo e digno de se ver!.
A marcha que começou na praça da Batalha com a finalidade de ir até à Praça D. João I, passou por esta última e continuou até à Praça da Liberdade, pois era tanta a gente que não cabiam na D. João I !!
E encerro tudo isto minha doce Serra, com uma frase que ficou-me marcada na mente, de alguém que disse:
" Não quero que os meus filhos saiam de perto de mim, e tenham que ir para o estrangeiro!! "

Meu Gerês, temos tanta coisa boa no nosso país, tanta gente com capacidade! Temos sol, mar, terra! 

Não temos petróleo está certo, mas temos Homens que valem muito mais que isso! E temos a vida, sim a vida  que um dia terminará para todos, menos para ti, espero! O Homem irá ,o homem virá, e tudo se irá repetir, pois nunca ninguém aprende com a História!
Isto era tão previsível!


Este senhor invisual vê mais que muita gente.





Um grande abraço saudoso para ti Gerês, espero que para a semana  possa  respirar-te, até lá e fica bem.

                        Tua sempre Lírio